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Como regra, as avaliações são construídas tendo como referência principal a banda política do avaliador. Assim, um grupo ponderável acredita que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), considerando inconstitucional a decretação de prisão antes que o respectivo processo tenha transitado em julgado, significa respeitar garantias constitucionais e fazer justiça, pondo fim a abusos cuja natureza interpreta como ditados por conveniências políticas. A outra banda pensa – e proclama – exatamente o contrário. A decisão tomada na quinta-feira (7) à noite seria, antes de mais nada, sinônimo de impunidade, um retrocesso que traz de volta os infindáveis recursos, privilégio reservado exclusivamente a quem dispõe de meios para pagar bons e caros advogados é, consequentemente, a impunidade.

Buscando o necessário distanciamento, fugindo de alinhamentos ditados pela emoção, nos parece mais razoável concluir que, de fato, foram cometidos, na condução das investigações e dos processos envolvendo casos de corrupção, erros que comprometeram os resultados e levaram à situação atual. O fundamento técnico dos votos no Supremo induz tal conclusão, reforça a ideia de que houve parcialidade e seletividade. Como já foi dito aqui, mais ambições que propriamente virtudes. O que se espera, o que na verdade a maioria da sociedade exige, é que se faça justiça por inteiro, com os esforços de depuração tendo prosseguimento, alcançando todos aqueles que de fato se afastaram da ética e da integridade, sem os riscos da impunidade que marcaram o passado. Da mesma forma, sem os riscos dos desvios sobre cuja existência hoje não parecem existir dúvidas.

Simplesmente, e como é próprio da vida democrática, que se cumpra, como gostam de dizer os doutos, o devido processo legal, numa linha reta, transparente e sem desvios. Não se admite, não se pode admitir que, uma vez cumprido o objetivo político, a tarefa seja dada por concluída e o combate à corrupção, bandeira que moveu as eleições do ano passado, caia no esquecimento, por óbvio abrindo espaço para que as mesmas e abominadas práticas prossigam sem limites ou barreiras. Não precisa ser e não pode ser assim, repetimos. Podemos entender, ao contrário, que a atitude que é reclamada pela sociedade e representa não mais que a mais elementar obrigação dos agentes públicos, ganhará força e consistência, deixando de ser uma alavanca política para ser um princípio pétreo.

O interesse público em primeiro lugar, a correção e a ética como obrigações, não como virtudes. É a este patamar que esperamos estar chegando para que o Brasil possa, de fato, mudar e avançar.