16ª edição da Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite conta com 1.750 animais - Crédito: Megaleite/Divulgação

A necessidade de ampliar e revitalizar o Parque de Exposições Bolivar de Andrade (Parque da Gameleira) foi mais uma vez ressaltada pelos pecuaristas. Durante a abertura da 16ª edição da Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite (Megaleite), que aconteceu na última quarta-feira (19), o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), Luiz Carlos Rodrigues, explicou que a exposição só não reuniu um número maior de animais pelo espaço disponível ser insuficiente.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o governo está trabalhando em um projeto para a reforma dos pavilhões.

No primeiro dia da Megaleite, Rodrigues explicou que existe a necessidade de ampliação e revitalização do espaço e dos pavilhões do Parque da Gameleira para que ocorra a expansão da exposição.

“Trouxemos a feira para Belo Horizonte com o intuito de aproximar da população urbana e revitalizar o Parque da Gameleira, que, hoje, precisa ser ampliado para atender nossa demanda. Este ano, estamos com 1.750 animais na Megaleite, mas, caso ocorra a ampliação, podemos chegar a 2,5 mil. A raça é pujante e ainda tem muito espaço para crescer”, destacou.

Segundo a secretária de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Maria Soares Valentini, o governo de Minas Gerais já está trabalhando para que o parque seja reformado. Sem estipular data nem valores, a secretária comentou que está em busca de recursos.

“Nós estamos buscando recursos para recuperar todos os galpões e, assim, permitir que os eventos que são realizados no espaço sejam ampliados. Estamos começando o processo de licitações para concluir a reforma dos galpões”, disse Ana Maria.

Leite em pó – Outra importante reivindicação feita pelo presidente da Girolando é para que o governo federal controle as importações de leite em pó. Segundo ele, além da concorrência desleal, a importação do produto já provocou o abandono da atividade por diversos produtores. Ele também ressaltou que Minas Gerais têm grandes condições de se tornar um grande exportador de leite. O setor vem se preparando, mas precisa de apoio.

“O produtor de leite precisa ser valorizado. Peço, ao governo, que segure, pondere de maneira ordenada e pacífica a importação de leite em nosso País. Estamos sofrendo até hoje pelas importações recentes, que foram muito desleais e fizeram com que muitos produtores abandonassem a atividade”, frisou Rodrigues.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcos Montes, disse que as importações de leite realmente prejudicaram o setor, porém, já estão sendo controladas.

“Tivemos problemas com a importação de leite do Uruguai, Argentina e Nova Zelândia. Seguramos um pouco. Estamos no Mercosul e não podemos fazer um rompimento do acordo diplomático que temos. Nós tomamos algumas medidas, que contribuíram para a redução”, afirmou.

Montes destacou ainda que Minas Gerais tem potencial para expandir a produtividade e exportar leite, mas é preciso agregar qualidade ao produto, o que será obtido com a implantação das Instruções Normativas 76 e 77, que entraram em vigor no dia 30 de maio.

Instruções Normativas – Em relação às dificuldades relatadas pelas indústrias e produtores de se adequar às regras das INs em função das variadas condições de produção, Montes esclareceu que o Mapa está aberto para o setor e que as regras poderão ser adequadas conforme a necessidade, mas preservando a qualidade.

O presidente do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), Roberto Simões, destacou que a entidade, junto com a CNA, está desenvolvendo um projeto para promover a exportação de leite.

“O projeto tem o objetivo de tornar o País um grande exportador de leite, caminho esse que será através do ganho em produtividade e competitividade. Queremos, assim como na carne bovina, ser um grande exportador de leite”, explicou Simões.

Estado quer reduzir burocracia no setor

A importância econômica e social do agronegócio de Minas Gerais foi ressaltada pelo governador do Estado, Romeu Zema, na abertura da Megaleite. Segundo ele, várias ações estão em andamento para atender as demandas do setor e reduzir as burocracias, o que é fundamental para o crescimento do setor e do Estado.

“Fiz minha campanha e dediquei os quase seis meses de governo à questão de Minas Gerais se tornar um estado mais amigo de quem trabalha. Estamos trabalhando arduamente para simplificarmos a parte tributária, uma vez que Minas Gerais é o estado mais complexo do Brasil. Vamos simplificar a parte ambiental. Queremos preservar o meio ambiente, mas não podemos fazer com que ninguém aguarde anos por uma licença ou autorização. Também não queremos que as pessoas sejam multadas em um valor que faça com que elas tenham que viver 600 anos para quitar a multa. Que seja multada e punida, mas não queremos dizimá-la, como tem acontecido”, afirmou.

Outro problema grave e antigo no setor rural, a ineficiência do fornecimento de energia elétrica também está sendo trabalhada pelo governo. De acordo com Zema, é preciso buscar soluções para a questão, uma vez que muitos produtores deixam de ampliar os negócios em função da incapacidade de fornecimento de energia elétrica.

“Estamos fazendo a lição de casa. Tenho ciência do problema da energia elétrica, estamos tomando medidas, talvez não para solucionar tudo, mas, pelo menos, para amenizar essa questão, que muitas vezes é um obstáculo para quem quer produzir. Tenho conhecimento de produtores que precisam dobrar ou triplicar o consumo de energia elétrica para ampliar a produção e que a companhia de energia não atende a demanda. Estamos atentos. Sei a importância do agronegócio para Minas Gerais e Brasil. No meu governo, estarei do lado e aberto para o setor, porque sei que nosso futuro depende dele”, disse Zema.