Refinaria Gabriel Passos conta com capacidade instalada de processar 166 mil barris diariamente e gera aproximadamente 900 postos de trabalho diretos | Crédito: Divulgação

Anunciado nessa sexta-feira (13) pela Petrobras, o começo da etapa de divulgação das oportunidades relacionadas à segunda fase dos processos de venda de ativos em refino e logística associada no Brasil tem dividido opiniões acerca dos benefícios ou malefícios da privatização no Estado.

O processo inclui Minas Gerais por meio da comercialização da Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Além disso, também estão sendo anunciadas a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará; e Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná.

De acordo com a nota da empresa, “os desinvestimentos em refino estão alinhados à otimização de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os nossos acionistas”.

Operações – Segundo informações da organização, a Regap conta com capacidade de processamento de 166 mil barris por dia, o que corresponde a 7% da capacidade total de refino de petróleo do País. Os seus ativos abrangem também um conjunto de dutos que têm mais de 720 km.

Já em relação ao número de trabalhadores, de acordo com o coordenador do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro MG), Anselmo Braga, são cerca de 900 colaboradores diretos e aproximadamente 1.500 terceirizados. “Tememos que essas pessoas percam seus empregos”, destaca ele.

Anselmo Braga também diz que há a preocupação de que, posteriormente, a refinaria seja utilizada apenas como estocagem. “Pode ser que a empresa passe a usá-la somente para distribuir os combustíveis”, analisa.

Insegurança – O coordenador do Sindipetro MG afirma, ainda, que a privatização pode aumentar a insegurança para os bairros do entorno da refinaria. O profissional lembra o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), como um dos exemplos do risco oriundo de determinadas empresas deixarem de ser estatais.

“Uma refinaria tem um potencial de dano gigantesco em um eventual acidente. Para proprietários privados, o que mais importa é o lucro”, destaca ele.

Melhorias – Já para o secretário adjunto de desenvolvimento econômico da Prefeitura de Betim, Alexandre Bambirra, a preocupação dos empresários com a segurança existirá, sim, e será grande, também motivada pelas lições aprendidas com as tragédias com as barragens no Estado.

Além disso, ele destaca ainda que, para a cidade, o negócio será muito interessante. “A Refinaria Gabriel Passos há mais de 40 anos não recebe investimentos significativos em inovação”, diz.

Com a venda, segundo ele, poderá haver mais investimentos em pessoas, tecnologia, equipamentos diferenciados, entre outros, resultando na expansão da produtividade.
“Aumentando a produtividade, há mais tributos para o município. Irá gerar mais emprego e renda”, salienta. “O que a gente enxerga no mercado mundial é que quando um grupo privado assume uma estatal, a tendência natural é haver um aumento da arrecadação”, diz.

A expansão dos investimentos também foi um fator destacado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. “Um player privado poderá realizá-los com mais tranquilidade”, pontua.

O profissional também diz que as decisões em relação à empresa poderão ser realizadas no Estado. Atualmente, a Petrobras, como uma grande organização, tem interesse em várias regiões, frisa ele.

Ainda segundo Roscoe, as fiscalizações serão muito mais duras. “O privado é muito mais fiscalizado do que o público”, afirma. “A segurança será maior”, salienta.

Próximos passos – Segundo a Petrobras, as próximas etapas principais do projeto “serão informadas oportunamente ao mercado, de acordo com a Sistemática de Desinvestimentos da Petrobras e com o Decreto 9.188/2017”.