Objetivo é buscar a privatização integral da companhia, que tem negócios em geração, transmissão e distribuição - CREDITO:ALISSON J. SILVA

Apesar de ter registrado, no primeiro semestre, o melhor resultado de lucro líquido de sua história, alcançando o montante de R$ 2,9 bilhões, e de estar prosseguindo com o projeto de desalavancagem, iniciado em 2016, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deverá mesmo ser privatizada. O projeto de venda das estatais do Estado será apresentado pelo governo mineiro nos próximos dias, com expectativas de aprovação ainda neste exercício.

As informações foram dadas pelo próprio presidente da elétrica, Cledorvino Belini, durante coletiva de imprensa de divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2019, em São Paulo. Segundo ele, a privatização vai envolver um processo político de negociação na ALMG.

“É um plano de desinvestimentos do Estado, que inclui Cemig, Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) e outras estatais”, resumiu.

Além de ser uma das promessas de campanha do governador Romeu Zema (Novo), a privatização das estatais é uma das exigências da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) junto ao governo federal.

No caso da elétrica, as informações são de que o objetivo é buscar a privatização integral da companhia, que tem negócios em geração, transmissão e distribuição de energia e é uma das maiores elétricas do Brasil.

Mas, enquanto não ocorre a venda completa do ativo, a estatal segue com uma série de estratégias em busca de melhores resultados, incluindo a reestruturação organizacional, a eficiência operacional, por meio de uma nova gestão.

Como resultado, a empresa alcançou lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no primeiro semestre de 2019. O desempenho é o maior da história da companhia e representa alta de mais de 538,7% sobre os R$ 454 milhões registrados no mesmo período do ano passado.

Já a receita da estatal passou de cerca de R$ 10,542 bilhões nos primeiros seis meses de 2018 para R$ 12,930 bilhões neste ano, aumento de 22,65% entre os exercícios.

A empresa registrou ainda uma geração de caixa, medida pelo Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de R$ 2,522 bilhões nos primeiros seis meses deste ano, 33,44% maior que o primeiro semestre de 2018. Antes dos ajustes realizados pela estatal, o resultado do Lajida havia sido de R$ 3,273 bilhões.

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Eficiência operacional – E, apesar dos bons resultados, a Cemig continua trabalhando em seu programa de vendas de ativos visando reduzir a alavancagem da empresa. Além das ações de desinvestimento, pelas quais a estatal abre mão dos empreendimentos que não possui o controle acionário ou que não integrem seu core business, o grupo segue em busca de uma maior eficiência operacional.

Assim, a prioridade no curto prazo é a conclusão da venda pela controlada Renova Energia do parque eólico Alto Sertão III. O ativo foi negociado pela empresa junto à AES Tietê, mas a operação depende de uma decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o futuro do parque, que corre risco de ter os contratos cancelados devido ao atraso.

Em paralelo, a Cemig continua buscando organizar a venda da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e de sua participação na hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.
Vale destacar que, desde o início do plano de desinvestimentos, a relação entre dívida líquida e o Lajida Ajustado caiu de 4,98 vezes para 2,82 vezes no final de junho de 2019. (Com informações da Reuters)