Polo calçadista no Centro-Oeste do Estado é responsável por 12% da produção nacional | Crédito: Divulgação

O polo calçadista de Nova Serrana, no Centro-Oeste mineiro, prevê, para este ano, um aumento de 6% em sua produção sobre os 105 milhões de pares fabricados em 2018. Entre os motivos para essa previsão positiva estão um ambiente econômico do País mais favorável do que o observado no ano passado e o posicionamento dos próprios empresários locais, que têm investido cada vez mais em qualidade e design e também no contato direto com os lojistas. O polo de Nova Serrana responde por 12% da produção de calçados nacional.

De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Ronaldo Andrade Lacerda, a expectativa inicial era de crescimento de 10% na produção neste ano, mas como no primeiro semestre não houve incremento, mas, sim, estabilidade, a projeção foi reduzida para 6%.

“O que ainda é muito bom, considerando, por exemplo, a própria taxa de crescimento prevista para o Brasil”, compara. A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia em 2019 é de 0,81%.

Em sua avaliação, enquanto no segundo semestre do ano passado havia muitas incertezas quanto aos rumos da economia, sobretudo em virtude das eleições presidenciais, no segundo semestre deste ano há um ambiente econômico mais favorável. “As taxas de juros caíram novamente”, exemplifica, fazendo referência ao anúncio feito na quarta-feira (18) pelo Banco Central de queda da Selic de 6% para 5,5%.

Mas além da conjuntura econômica, Lacerda destaca o posicionamento do empresariado local. “O Sindinova procura trabalhar a promoção comercial dos fabricantes”, indica.

Segundo ele, a participação em grandes feiras do setor, promovidas em São Paulo e em Nova Serrana, contribui para essa venda direta com os lojistas do Brasil e de outros países, principalmente nos meses de lançamento de produtos. “É uma oportunidade de os empresários compreenderem melhor as necessidades do cliente e estar em linha com o mercado”, justifica.

Cerca de 90% da produção de Nova Serrana é destinada ao mercado interno, sobretudo para as regiões Sudeste (com predominância de São Paulo e Minas), Sul e Nordeste. No mercado externo, a produção do município tem maior presença nos países do Mercosul e demais países da América do Sul.

Cadeia produtiva – A cadeia produtiva de Nova Serrana reúne hoje cerca de 1.200 empresas, entre fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços, que são responsáveis pela geração de 20 mil empregos diretos e 22 mil indiretos. A expectativa é de novas contratações nos meses de setembro, outubro e novembro, para atender à crescente demanda dos lojistas para o Natal.

“Geralmente nossa produção é mais alta nos meses de março e abril para atender aos clientes, que precisam abastecer suas lojas para os eventos do Dia das Mães e Dia dos Namorados, em maio e junho. Em meados do ano, quando o comércio tem vendas mais aquecidas, nossa produção diminui e é retomada agora, entre setembro e novembro”, explica.

Empregos – Por esse motivo, Nova Serrana, que é um dos municípios com uma das maiores taxas de contratação do Estado, costuma apresentar saldos de empregos até negativos em meados do ano.

Em junho, por exemplo, o saldo de empregos ficou negativo em 691 postos de trabalho, o que representou queda de 1,55% frente ao mesmo mês de 2018. Mas, em julho, o saldo já foi positivo em 204 vagas, alta de 0,77% frente a igual intervalo do ano passado. Para o vice-presidente do Sindinova, Pedro Gomes, a queda mensal apurada em junho “é resultado da crise”, justifica.

Na avaliação de Ronaldo Lacerda, um fator que também contribui para a retomada e crescimento da produção e dos níveis de emprego já nesse segundo semestre é o perfil das empresas do município.

“São pequenas empresas e por isso têm condições de mudança rápida de postura”, analisa, prevendo abertura de novas vagas nos próximos meses. A maior parte da produção de calçados de Nova Serrana é feita por microempresas (68,4%); pequenas (17,8%) e médias (3,2%).

Para Lacerda, a liberação do PIS e FGTS que já começou a ser feita no País, pode ajudar a incrementar as vendas no comércio varejista e na indústria. “Tudo ajuda”. No entanto, ele observa que para haver retomada de crescimento e geração de emprego e consumo é preciso mais do que isso: “obras estruturantes dos governos é que dão o start na economia, como a construção civil, por exemplo, geradora de emprego e que pode acionar a mola do consumo”.