Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias impactou positivamente - Foto: Ricardo Almeida / ANPr

São Paulo – A produção industrial brasileira frustrou as expectativas de perdas e cresceu em dezembro, terminando 2018 com ganhos, porém em ritmo mais fraco do que no ano anterior. Em dezembro, a indústria registrou avanço de 0,2% na produção, de acordo com os dados divulgados na sexta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este resultado compensa o recuo de 0,1% de novembro e foi melhor do que a expectativa apontada em pesquisa da Reuters de recuo de 0,2%. Na comparação com dezembro de 2017, a produção apresentou queda de 3,6%, contra projeção de contração de 4,2%.

Com isso, o setor terminou 2018 com ganho de 1,1%, mostrando desaceleração em relação ao ano anterior, quando houve um avanço de 2,5% que interrompeu três anos seguidos de queda da produção industrial.

No quarto trimestre, a produção industrial teve recuo de 1,1% sobre o mesmo período de 2017, mostrando que a atividade perdeu força ao longo do ano após aumentos de 2,8% no primeiro trimestre, 1,8% no segundo e 1,2% no terceiro, na mesma base de comparação. Foi o resultado mais fraco desde o quarto trimestre de 2016.

“Atividades como alimentos, metalurgia e bebidas, que mostraram comportamento positivo no início do ano, perderam intensidade ao longo dos meses”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.
Os dados do IBGE mostraram que, entre as categorias econômicas, a que mais cresceu no ano foi a de Bens de Consumo Duráveis, com alta de 7,6%, impulsionada por automóveis e eletrodomésticos da linha marrom.

Bens de Capital, uma medida de investimento, teve aumento no ano passado de 7,4%, devido principalmente aos bens de capital para equipamentos de transporte e para construção. Por outro lado, a produção de Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis teve contração de 0,3%.

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Segmentos – Entre os ramos pesquisados, 13 dos 26 apresentaram resultados positivos. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias exerceu a maior influência positiva, com aumento de 12,6%.

“Embora tenha perdido intensidade nos últimos meses do ano, o setor automobilístico, em 2018, foi especialmente favorecido pela maior demanda do mercado argentino”, completou Macedo.

Em dezembro sobre o mês anterior, entretanto, a fabricação de Bens de Capital recuou 5,7%, enquanto Bens Intermediários cresceram 0,7%.

O último ano foi marcado pela greve dos caminhoneiros, um mercado de trabalho fraco, crise na Argentina e instabilidade no período eleitoral, fatores que afetaram a indústria brasileira ao longo do ano.

A mais recente pesquisa Focus do Banco Central mostra que os economistas esperam em 2019 uma expansão da indústria de 3,04%, indo a 3% em 2020. (Reuters)