Maior número de dias úteis no último mês contribuiu para maior produtividade no Estado, com o melhor indicador desde 2010 - Crédito: Alisson J. Silva/ Arquivo DC

Após dois meses de baixa, a produção industrial, em Minas Gerais, cresceu em julho. Apesar da alta, houve recuo do emprego pela quarta vez seguida e a utilização da capacidade instalada também foi inferior. Os estoques finais ficaram estáveis, mas acima do planejado pelos empresários.

O crescimento da produção em julho é explicado pelo maior número de dias úteis no mês. Os resultados mostram que a economia enfraquecida continua prejudicando o setor industrial. Vale destacar que, para os próximos meses, o otimismo do setor está maior, inclusive na intenção de investimentos, o que pode ser explicado pela grande expectativa pela aprovação da reforma da Previdência.

De acordo com a Sondagem Industrial de Minas Gerais, divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o indicador da produção avançou 10,7 pontos entre junho (44,2 pontos) e julho (54,9 pontos). O resultado sinalizou expansão da produção no mês, após dois meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos. O indicador cresceu 3,2 pontos frente a julho de 2018 (51,7 pontos) e foi o mais elevado para o mês desde o início da série histórica, em 2010.

“O aumento mensal expressivo pode ser explicado, ao menos em parte, pelo maior número de dias úteis em julho, que foram 23, na comparação com junho (19 dias). Como a economia está enfraquecida, somente esse fator pode justificar o melhor desempenho”, disse a economista da Fiemg, Daniela Muniz.

Em relação ao emprego, o indicador de evolução do número de empregados marcou 48,7 pontos em julho. Apesar do avanço de 1,6 ponto frente a junho (47,1 pontos), o índice mostrou redução do emprego – embora menos acentuada – ao ficar abaixo de 50 pontos. O indicador recuou 0,2 ponto em relação a julho de 2018 (48,9 pontos).

O índice de utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual marcou 43,1 pontos em julho. Mesmo com o avanço de 4,6 pontos frente a junho, o indicador ficou abaixo de 50 pontos, sinalizando que a indústria seguiu operando com capacidade aquém da habitual para o mês. O índice recuou 0,3 ponto na comparação com o mesmo mês de 2018 (43,4 pontos).

Em julho, os estoques de produtos finais das indústrias permaneceram estáveis (50,0 pontos), após dois meses sinalizando crescimento. O indicador de estoque efetivo em relação ao planejado apontou acúmulo indesejado de estoques em julho (53,8 pontos), o que mostra que os empresários esperavam vender em maior quantidade. O índice recuou 0,3 ponto frente a junho (54,1 pontos) e 1,9 ponto em relação a julho de 2018 (51,9 pontos).

“A economia enfraquecida interfere no desempenho do setor. Além disso, com o desemprego em alta, a população está com a capacidade de compras comprometida, o que contribuiu para os estoques maiores que os planejados pelos empresários”, avalia.

Ainda segundo Daniela, um ponto importante a se destacar no resultado da pesquisa é o otimismo do empresário, que está maior para os próximos seis meses.

“O maior otimismo está relacionado à aprovação, dada como certa no Senado, da reforma da Previdência. Além disso, a redução da Selic e o anúncio de outras medidas que estimulam o consumo, como os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo PIS-Pasep, irão injetar recurso na economia. Vale ressaltar que sabemos que somente essas ações não serão suficientes para a retomada econômica, mas é um passo para que as demais reformas, como a tributária, sejam feitas. Isso traz mais otimismo para os empresários”, explicou.

Investimentos – De acordo com a pesquisa da Fiemg, o índice de intenção de investimento avançou 5,6 pontos em agosto (56,6 pontos), frente a julho (51,0 pontos), registrando o segundo avanço mensal seguido. O indicador cresceu 4,6 pontos em relação a agosto de 2018 (52,0 pontos) e foi o mais elevado para o mês desde o início da série histórica, em 2014.

Alta também foi observada no indicador de expectativa de demanda nos próximos seis meses, que avançou 1,6 ponto entre julho (57,7 pontos) e agosto (59,3 pontos), interrompendo uma sequência de quatro quedas mensais. De acordo com a pesquisa, o índice permaneceu acima de 50 pontos, o que significa que os empresários esperam aumento da demanda pelos produtos. O indicador cresceu 3,0 pontos frente a agosto de 2018 (56,3 pontos) e foi o mais elevado para o mês desde 2011 (59,4 pontos).

O indicador de expectativa do número de empregados nos próximos seis meses ficou praticamente estável entre julho (51,4 pontos) e agosto (51,3 pontos). O resultado – superior a 50 pontos – marcou o 10º mês seguido em que os empresários projetaram avanço do emprego no curto prazo. O índice cresceu 0,8 ponto na comparação com agosto de 2018 (50,5 pontos) e foi o mais elevado para o mês desde 2012 (51,4 pontos).

País também registra crescimento na indústria

Brasília – O índice de produção da indústria brasileira subiu 9,6 pontos em relação a junho, alcançando 53 pontos em julho. O indicador está 5 pontos acima da média histórica e é o maior desde outubro do ano passado. As informações são da Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mesmo assim, diz a CNI, o emprego no setor continua em queda. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,4 pontos em julho, abaixo da linha divisória dos 50 pontos. Os indicadores da pesquisa variam de zero a 100 pontos. Quando estão acima dos 50 pontos indicam aumento da produção e do emprego.

Segundo a CNI, o aumento da produção foi acompanhado pelo crescimento da utilização da capacidade instalada, que subiu 2 pontos percentuais em relação a junho e ficou em 68% em julho. A utilização da capacidade instalada foi maior nas grandes empresas, segmento em que alcançou 72%. Nas médias, foi de 67% e, nas pequenas, de 61%. No entanto, a indústria continua acumulando estoques. O índice de estoques efetivos em relação ao planejado aumentou para 52,8 pontos.

“É o maior valor desde maio de 2018, quando ocorreu a paralisação dos transportes”, trouxe a Sondagem Industrial.

Perspectivas – De acordo com a CNI, os empresários se mostram mais dispostos a fazer investimentos nos próximos seis meses. O índice de intenção de investimentos aumentou 1,7 ponto na comparação com julho e ficou em 54,1 pontos em agosto, 4,9 pontos superior à média histórica. As grandes empresas são as que estão mais propensas a fazer investimentos nos próximos seis meses. Nesse segmento, o indicador de intenção de investimento é de 61,1 pontos, superior à média brasileira.

Além disso, os empresários mantêm o otimismo, acrescenta a CNI. Os indicadores de expectativas continuam acima dos 50 pontos, mostrando que os industriais esperam o crescimento da demanda, das compras de matérias-primas, do emprego e das exportações nos próximos seis meses.

Esta edição da Sondagem Industrial foi feita entre 1º e 13 de agosto com 1.957 empresas. Dessas, 776 são pequenas, 704 são médias e 477 são de grande porte. (ABr)