A indústria está mais otimista com a reforma da Previdência e o corte na taxa de juros - Crédito: Arquivo/ABr

Os empresários mineiros estão mais otimistas com o atual cenário econômico e com o futuro. Isso é o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei-MG), que aumentou 3,2 pontos em relação ao mês de julho, chegando a 59,8 pontos em agosto.

Trata-se do segundo mês de reversão da trajetória de declínio do indicador. De março a junho, foi acumulado um recuo de 7,9 pontos.

O índice apresentou crescimento de 9,1 pontos em comparação a agosto de 2018, quando registrou 50,7 pontos, e ficou 8,4 pontos acima da média histórica (51,4 pontos). O Icei nacional (59,4 pontos) também aumentou em relação ao mês de julho (57,4 pontos) e foi o mais alto para o mês de agosto desde o ano de 2010 (63,7 pontos).

O Icei no Estado é uma publicação realizada todos os meses pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo Daniela Muniz, economista da entidade, os resultados mais positivos têm a ver com fatores como a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados e a queda da taxa básica de juros da economia.

“A melhora das expectativas também pode estar relacionada com medidas para incentivar o consumo, como a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS/Pasep”, afirma ela.

O Icei é fruto da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, cuja variação é de 0 a 100 pontos. Valores que ultrapassam os 50 pontos revelam uma melhor percepção de situação atual e boa expectativa para os próximos seis meses.

“O indicador de condições atuais marcou 52 pontos em agosto, ultrapassando a fronteira dos 50 pontos, mostrando que os empresários estão satisfeitos”, salienta a economista.

O índice cresceu 5,6 pontos em relação ao mês de julho (46,4 pontos). Daniela ressalta que isso é fruto de uma melhora nas percepções dos industriais acerca das condições gerais das suas empresas, da economia de Minas Gerais e da economia brasileira, sobretudo. O resultado foi 6,3 pontos maior do que em agosto de 2018 (45,7 pontos) e é o maior para o mês desde o ano de 2010 (58,0 pontos).

Expectativas – Já o indicador de expectativas para os próximos seis meses apresentou um crescimento de 2,9 pontos entre os meses de julho (60,8 pontos) e agosto (63,7 pontos).

Isso representa uma recuperação de parte da retração de 9,2 pontos acumulada de janeiro a julho deste ano. Além disso, o índice apresentou um aumento de 10,5 pontos em comparação a agosto de 2018 (53,2 pontos) e foi o mais elevado para o mês desde o ano de 2010 (66,1 pontos).

“A tendência é de que haja uma melhora nos índices. A reforma da Previdência é a primeira de outras que deverão vir para o avanço da economia”, frisa Daniela.

A profissional destaca, por fim, que ainda há um longo trajeto para restabelecer a previsibilidade quanto aos rumos da economia, “mas já demos os primeiros passos para a retomada do desenvolvimento econômico”, garante.

CNI aponta melhoria geral nos indicadores

Brasília – O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) voltou a subir e chegou a 59,4 pontos em agosto. É o terceiro aumento seguido do indicador, que está acima da média histórica de 54,5 pontos. “A confiança segue elevada”, constata pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a CNI, os indicadores do levantamento variam de zero a 100 pontos. Quando estão acima dos 50 pontos mostram que os empresários estão confiantes. De acordo com a pesquisa, a confiança melhorou para todos os portes de empresas. Nas médias e, sobretudo, nas grandes empresas, está acima da média nacional.

Nas grandes empresas, o Icei registrou 59,7 pontos este mês. Nas médias indústrias, ficou em 59,5 pontos e, nas pequenas, em 58,8 pontos. O levantamento indicou ainda que o índice é maior na indústria extrativa, segmento em que alcançou 62,8 pontos. Na indústria de transformação, ficou em 59,5 pontos e, na construção, em 58,5 pontos.

“O aumento do otimismo neste mês é resultado da melhora da percepção das condições atuais dos negócios e do aumento do otimismo sobre o desempenho das empresas e da economia nos próximos seis meses”, diz a CNI.

Para o economista da CNI Marcelo Azevedo, a melhora da percepção das expectativas dos empresários refletem as notícias positivas para a economia. “Há uma sequência de boas notícias: a queda dos juros, a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a aprovação em segundo turno da reforma da Previdência”, disse.

A pesquisa mostra que a confiança é maior na Região Norte, onde subiu 4,0 pontos e atingiu 61,7 pontos. No Nordeste, o índice ficou em 59,6 pontos, no Sudeste, em 58,5 pontos, no Sul, 54,9 pontos e, no Centro-Oeste, em 59,2 pontos.

A pesquisa foi realizada entre 1º e 13 de agosto, com 2.451 empresas, sendo 945 pequenas, 917 médias e 589 de grande porte. (ABr)