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Sabará vai se transformar em um importante centro de cultura e diversão a partir de hoje com a realização da 50ª edição de seu Festival de Inverno. A comemoração de bodas de ouro inclui uma programação extensa e diversificada até o próximo dia 28 de julho, com direito a shows de rock espetáculos teatrais e circenses, oficinas culturais, o tradicional “Encontro de Bandas” envolvendo diversas corporações instrumentais do estado, feira de artesanato e muitas outras atrações.

O Festival de Inverno de Sabará vai ocupar diferentes espaços públicos do centro histórico da cidade e bairros com atrações desde a manhã até a noite. Hoje, dia do aniversário de 308 anos da cidade, o show com Mumuzinho será o ponto alto. O dia começa com Missa e Solenidade de Transferência Simbólica da sede da Comarca para o Arraial Velho – Um dos núcleos pioneiros na formação do município, na Igreja de Sant’anna no Arraial Velho e termina no Centro Cultural José Costa Sepúlveda, Cine Bandeirante, às 18 horas com o espetáculo “Poesia em Expressão’, protagonizado pelo Ballet Municipal.

A história de Sabará tem suas raízes nos primórdios da colonização do Brasil e está intimamente relacionada à lenda do sabarabuçu, região de limites. O sabarabuçu fervilhou na imaginação dos colonizadores, que buscavam no sertão “uma serra feita de prata e pedras preciosas”.

O sertanista paulista capitão Matias Cardoso de Albuquerque foi eleito, por Fernão Dias Paes, o líder da equipe de vanguarda da Bandeira das Esmeraldas. Seu objetivo era preparar o caminho, abrir picadas implantar roças e pouso. Depois de muito viajar, Matias de Albuquerque encontrou um local favorável para a implantação de roças, com fonte de água, livre de perigo das enchentes e um ponto de travessia do rio a pé. Assim, Sabará passou a ser local de pousada para a travessia do sertão.

Em 1674, chegou à região a bandeira de Fernão Dias Paes, dando início ao que tornar-se-ia o mais importante arraial fundado pelo bandeirante paulista. Entretanto, insigne publicação do historiador professor Zoroastro Viana Passos cita que os baianos chegaram aos sertões de Sabará, em 1555, muito antes dos bandeirantes paulistas. Existem algumas citações de que Borba Gato, quando aqui chegou, assistiu missa em uma pequena capela já existente.

O Arraial da Barra do Sabará foi o centro comercial estratégico diretamente ligado à Estrada Real, já por volta de 1700, possuía intensa movimentação, sendo um dos mais populosos das Minas. Em 1711, foi elevado à condição de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, também conhecida como Vila do Sabará. Três anos depois, tornou-se sede da extensa Comarca do Rio das Velhas, cuja jurisdição alcançava os limites de Goiás, Pernambuco e Bahia.

Ciclo do Ouro – O fastio de ouro fez a Coroa Portuguesa instalar as casas de fundição, a fim de serem cobrados os impostos sobre a produção aurífera.

Contudo, terminado o Ciclo do Ouro, Sabará manteve uma relativa atividade comercial até boa parte do século XIX e, ainda hoje, o ouro é explorado no município. Em 1822, Sabará contribui com uma significativa importância em dinheiro e com voluntários para a luta pela Independência. A chegada da Ferrovia Central do Brasil à Sabará inaugurou o Ciclo do Ferro, que também persiste até os dias atuais.

Muitos resquícios do período colonial esperam por serem descobertos. Recentemente, foram feitas prospecções ao longo da Estrada Real e do Caminho da Bahia e algumas edificações e ruínas merecem destaque, como é o caso do Calçamento e do Forno de Cal, encontrados no Conjunto Paisagístico do Morro São Francisco, das ruínas do Arraial Velho e do dito Cemitério dos Ingleses, na mata da Serra da Piedade, próximo ao Arraial de Pompéu.

No Centro Histórico está localizada a maioria dos atrativos históricos e arquitetônicos: igrejas do século XVIII, o Teatro Municipal, Museu do Ouro, chafarizes e o casario de arquitetura colonial. Há igrejas em Sabará que mesclam características artísticas de diferentes fases do barroco mineiro. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição apresenta características de três períodos da Arte Barroca, fato raro nas cidades históricas de Minas Gerais. (Da Redação)