Do total de cana produzida no Estado, 38,6 milhões de toneladas serão voltadas à fabricação de etanol - Crédito: Sergio Moraes / Reuters

A produção de cana-de-açúcar em Minas Gerais será de 63,8 milhões de toneladas na safra 2019/20, o que representa um acréscimo de 1% sobre o volume colhido na safra anterior.

De acordo com os dados do 2º Acompanhamento da Safra de Cana-de-Açúcar, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), haverá expansão de 8,1% na produção de açúcar e queda de 4,2% na produção total de etanol.

Conforme o levantamento, ao longo da safra, em Minas Gerais, houve boa distribuição das chuvas, especialmente no período entre fevereiro e abril, o que contribuiu para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Também foi positiva a redução dos índices pluviométricos no momento da colheita. Mesmo com o recente registro de geada – no início de julho – em algumas regiões produtoras, principalmente as localizadas em áreas de baixada e de altas altitudes, de modo geral as condições climáticas têm sido consideradas favoráveis ao longo do ciclo.

Com isso, a estimativa aponta para o crescimento de produtividade média em comparação à safra passada, podendo chegar a 76,51 toneladas de cana por hectare, elevação de 2,7%. Outros fatores, além do climático, que vêm contribuindo para a expansão da produtividade são: a renovação gradual das lavouras, a introdução de novas variedades e a melhoria no manejo da cultura com redução de possíveis falhas durante o plantio e melhoria nos tratos.

“O levantamento foi feito no final de julho, e a colheita da cana-de-açúcar já atingia, em média, 50% da área de produção. De modo geral, o desenvolvimento da safra de cana foi muito positivo”, explicou o superintendente de Informações do Agronegócio da companhia, Cleverton Santana.

Em relação à área de produção em Minas Gerais, a projeção da Conab é de redução de 1,6% quando comparada à safra anterior, com o uso de 834,5 mil hectares. De acordo com os técnicos da Conab, houve diminuição no número de fornecedores, que decidiram migrar para o cultivo de outras culturas em detrimento à cana-de-açúcar.

Distribuição da produção – A produção esperada para o Estado é de 63,8 milhões de toneladas, variação positiva de 1%. Do volume total, 25,2 milhões de toneladas de cana serão destinadas à fabricação de açúcar, aumento de 8,7% frente ao ano anterior. O restante, 38,6 milhões de toneladas, será voltado para a produção de etanol total, queda de 3,4%.

O maior volume de cana destinado para o etanol se deve aos preços de comercialização do açúcar estarem aquém do esperado pelo setor. Com a destinação de cana-de-açúcar maior para a fabricação de etanol, a projeção é de uma produção na ordem de 3,1 bilhões de litros do biocombustível, volume 4,2% inferior.

A produção de anidro tende a crescer 20%, com um total de 990 milhões de litros. Para a fabricação desse combustível, que é adicionado à gasolina, serão destinadas 12,6 milhões de toneladas de cana.

Já a produção de etanol hidratado será de 2,11 bilhões de litros, queda de 12,5% ou de 302,4 milhões litros. Ao todo, serão esmagadas 25,9 milhões de toneladas de cana para a fabricação do biocombustível.

A produção de açúcar na safra 2019/20 será de 3,3 milhões de toneladas, 8,1% maior que a registrada no ano anterior.

País produzirá 31,6 bi de litros de etanol

O Brasil deverá produzir neste ano 30,3 bilhões de litros de etanol da cana-de-açúcar e mais 1,35 bilhão de litros a partir do milho, o que dá um total de 31,6 bilhões de litros. Os dados são do 2º levantamento da Safra de Cana 2019/20, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Nos subprodutos gerados a partir da cana-de-açúcar, o etanol anidro deve chegar a 10,5 bilhões de litros, ou seja, 12,6% a mais que em 2018/19. Este composto é utilizado na mistura com a gasolina. Já no caso do hidratado, a tendência é uma queda de 14,1%, em relação à safra passada, chegando a 19,8 bilhões de litros.

Com relação à produção de açúcar, esta deverá atingir 31,8 milhões de toneladas este ano, um crescimento de 9,5%. No plantio da cana, o estudo aponta um acréscimo de 0,3% na produção em relação à safra passada, chegando a 622,3 milhões de toneladas. Em compensação, a área colhida está estimada em 8,38 milhões de hectares, uma queda de 2,4%.

Milho – A partir do 1º levantamento da safra 2019/20, divulgado em maio deste ano, a Conab passou a incluir na divulgação as estatísticas totais de etanol, o que engloba também os dados sobre o etanol à base de milho. Isso porque o cereal vem assumindo um papel de relevância crescente na produção do combustível.

A região que mais se destaca na utilização do cereal como combustível é o Centro-Oeste, com 94,2% da oferta nacional em 2019, ou seja, 1,27 bilhão de litros, um crescimento de 62,4% em relação à safra passada. (Com informações do Mapa)