Destaques positivos da safra 2018/19 em Minas são o milho e o algodão, conforme a Conab - Crédito: Divulgação CNH

O 12º Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2018/19, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrou que Minas Gerais encerrou o período produtivo com a colheita de 14,2 milhões de toneladas, pequeno aumento de 0,2% quando comparado com a safra anterior. Neste ano, os destaques positivos foram o algodão e o milho. Apesar do aumento do plantio da soja, o clima não foi favorável e a produção da oleaginosa ficou 8,5% menor.

De acordo com dados divulgados, ontem, pela Conab, a produção de grãos em Minas Gerais ocupou uma área plantada de 3,4 milhões de hectares, variação positiva de 3,2%. A produtividade da safra ficou 2,9% menor em função do clima adverso, o que gerou um rendimento médio de 4,1 toneladas por hectare.

“A safra de grãos, em Minas Gerais, ficou basicamente igual a anterior. Minas, assim como outros estados, apresentou problemas com o clima, por isso, houve redução da produtividade. A falta de chuvas no final de 2018 e janeiro de 2019 foi o principal impacto negativo nas culturas”, explicou o superintendente de Informações do Agronegócio da Companhia, Cleverton Santana.

Dentre os produtos, o destaque é o milho. A produção mineira atingiu um total de 7,53 milhões de toneladas, superando em 6,3% as 7 milhões de toneladas colhidas na safra anterior. A área destinada ao cultivo do cereal foi de 1,16 milhão de hectares, espaço 0,4% maior. O clima foi mais favorável para o desenvolvimento da cultura na segunda safra e permitiu uma expansão de 5,9% na produtividade total. A média de rendimento por hectare chegou a 6,4 toneladas.

Na primeira safra de milho foi verificada queda de 14,8%, com a colheita de 4,59 milhões de toneladas. A redução se deu em função da área 9,63% menor e da redução de 6% vista na produtividade.

Já na segunda safra de milho houve aumento de 23,9% na área de plantio e expansão de 40,2% na produtividade, resultando na colheita de 2,93 milhões de toneladas, aumento de 73,7% frente a igual período da safra 2017/18.

“Minas Gerais é um dos grandes produtores de milho do País, principalmente, na primeira safra. É um estado que consome muito milho internamente produzindo ração animal”, disse Santana.

Destaque positivo também para a produção de algodão em caroço. Na safra 2018/19 foi observada expansão de 70% na produção, que somou 168,7 mil toneladas. A área de plantio cresceu 68%, com o uso de 42 mil hectares. A produtividade, 4 toneladas por hectare, ficou 1,3% maior. Somente a produção de algodão em pluma chegou a 67,5 mil toneladas, crescimento de 70,1%. A produtividade ficou 1,3% superior, com o rendimento médio de 1,6 tonelada por hectare.

“No Estado, a produção de algodão em caroço está concentrada nas regiões do Triângulo e Noroeste. O algodão é uma cultura onde os produtores utilizam o que há de melhor em tecnologia, normalmente é plantado em áreas de alta produtividade nas fazendas, por ser uma cultura de alto custo, mas com rentabilidade boa e compensa. O Brasil aumentou quase 40% da área nessa safra e Minas ampliou em 68%. A demanda interna pelo algodão segue estável, mas aumentou a demanda externa pelo produto nacional, que tem alta qualidade, e os produtores investiram no plantio”, explicou.

Feijão – A produção total de feijão foi de 542,6 mil toneladas, volume 5,6% maior. No período, a área plantada chegou a 363,7 mil hectares, queda de 1,5%. Já a produtividade recuou 1,5% e gerou 1,4 tonelada por hectare.

“O Estado é o segundo maior produtor de feijão, atrás somente do Paraná. A safra no Estado já foi encerrada. A maior parte da safra em Minas Gerais é de feijão cores, o Carioquinha, mas o Estado também produz feijão preto”, disse.

Oleaginosa – Já a produção de soja ficou 8,5% menor, com a colheita de 5 milhões de toneladas. Neste ano, o clima desfavorável fez com que a produtividade retraísse 3,22 toneladas por hectare, 12,4% inferior. No período, a área de produção foi ampliada em 4,4% e somou 1,57 milhão de hectares.

O plantio da safra 2019/20 ainda não foi iniciado. De acordo com Santana, ainda não tem previsão de chuvas para as próximas duas semanas em Minas Gerais.

“Vamos continuar acompanhando as estimativas de precipitação, que mudam a cada semana, para ver se os produtores vão conseguir iniciar o plantio ainda em setembro, como foi no ano passado. O que seria melhor para se ter uma maior janela de plantio”.

Brasil produz recorde de 242,1 mi de toneladas

A safra de grãos 2018/2019 no Brasil terminou com uma produção recorde de 242,1 milhões de toneladas de grãos. De acordo com levantamento divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o crescimento será de 6,4% em comparação com a safra passada, impulsionado pelas culturas de algodão e milho. O recorde anterior foi registrado no período 2016/2017, de 237,6 milhões de toneladas.

No caso do algodão, a pesquisa revelou um crescimento de 35,9% na produção, com volume estimado de 4,1 milhões de toneladas do caroço e 2,7 milhões de toneladas do algodão em pluma. Entre os motivos estão a taxa de câmbio, a evolução dos preços e outros fatores, que levaram os produtores a expandir a área plantada, principalmente nos estados da Bahia e Mato Grosso. Com isso, a previsão de exportação da pluma também deverá superar a do ano passado em mais de 50%, alcançando pela primeira vez a marca de 1,5 milhão de toneladas.

Já com relação ao milho, a safra total chega a quase 100 milhões de toneladas. Houve aumento na segunda safra, com crescimento de 36,9% e previsão de produção recorde de 73,8 milhões de toneladas, e queda na primeira safra, com 26,2 milhões de toneladas, 2,3% menor que a anterior. No quadro de oferta e demanda da Conab, o produto mostra ainda uma expectativa de exportação recorde, de quase 35 milhões de toneladas.

O feijão apresentou bons resultados apenas na segunda e terceira safras, com aumento de 6,3% e 21,2% respectivamente. Mas não foi suficiente para garantir aumento no número total, que fechou 3% abaixo do ano anterior, com cerca de 3 milhões de toneladas nas três safras. Já no caso do arroz, a produção de 10,4 milhões de toneladas é 13,4% menor que a obtida em 2017/18, devido à redução de área e produtividade ocorridas nos principais estados produtores.

A soja também sofreu redução de 3,6% na produção, atingindo 115 milhões de toneladas. Houve, contudo, o crescimento na área de plantio em 2,1%. Com o fim da colheita próximo (restam apenas algumas áreas nas regiões Norte e Nordeste), e mesmo com o decréscimo no percentual, esta consolida-se como a segunda maior produção de soja na série histórica da Conab.

Segundo o secretário substituto de Política Agrícola, Wilson Vaz, esses resultados vão beneficiar a comercialização dos produtos e influenciar de forma positiva a safra 2019/2020:

“Pegamos também o acompanhamento do desempenho de crédito rural nesses dois primeiros meses da safra e eles são bons, em linha com o que a ministra estabeleceu como prioridade: prioridade aos pequenos e médios produtores e investimentos em infraestrutura produtiva. Tudo isso se confirmou nesses primeiros dois meses com aumento substancial no crédito para o médio produtor rural de 28%, 14% para o pequeno produtor”, diz.

Safra de inverno 2019 – A produção de trigo está estimada em 5,4 milhões de toneladas, com uma área de 2 milhões de hectares, 0,2% maior que em 2018. As demais culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada e triticale) apresentam um leve aumento na área cultivada, passando de 546,5 mil hectares na safra passada, para 564,8 mil hectares. (Da Redação)