Créditos: Alisson J. Silva

Após cinco anos consecutivos com queda no faturamento, a indústria de bens de capital enfim voltará a crescer em 2018. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima encerrar o exercício com alta de 7,5% em relação ao ano passado em nível nacional, enquanto a atividade em Minas Gerais poderá avançar até 10% no mesmo tipo de comparação.

Apesar de positivos, os números não recuperam, nem de longe, as perdas acumuladas nos últimos anos. Somente no Estado, conforme o membro do Conselho da Abimaq-MG, Marcelo Luiz Veneroso, as perdas entre 2013 e 2017 chegaram a 60%.

“O otimismo dos empresários melhorou bastante nos últimos meses, assim como o nível das encomendas, que prometem fôlego ainda maior no ano que vem. No entanto, ainda temos um elevado nível de ociosidade nas fábricas e os pedidos permanecem aquém da capacidade”, justificou.

Somente em outubro, o setor em Minas registrou aumento de 2% no faturamento em comparação com o resultado apurado no mês anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve crescimento de 9%. Assim como no País, as exportações puxaram o desempenho do décimo mês de 2018, tendo aumentado 22% em relação a setembro e 4% se comparado com outubro do ano passado.

Já o nível de utilização da capacidade instalada cresceu 0,2% sobre o mês anterior e 15% em frente ao décimo mês de 2017. Dessa maneira, conforme Veneroso, a média de utilização deste ano deverá ficar em 75%, nível semelhante ao observado no País.

“Esperamos que essa recuperação siga, mas não podemos comemorar, pois ainda há muitas indefinições. Existe um período de transição longo para a entrada efetiva do próximo governo, quando, enfim, deverão ocorrer as mudanças tão esperadas. É importante seguirmos com as reformas também, para começarmos a resolver os problemas estruturais do País”, afirmou.

Tamanho o otimismo do setor com o governo do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL), que já se fala em recuperação da competitividade da indústria brasileira. “Não acreditamos em milagres, mas as propostas do novo governo são tudo o que o empresariado queria e precisava ouvir no sentido de oferecer um horizonte de melhoria e condições de retomada da competitividade”, completou.

Sobre isso, Veneroso também disse que a indústria nacional ainda tem muito o que melhorar dentro das empresas, mas que os maiores problemas quanto a perda de competitividade estão do portão das fábricas para fora. “Os gastos com juros, impostos não recuperáveis, logística, burocracia, investimentos e mão de obra, que juntos formam o famoso ‘Custo Brasil’ ainda precisam ser revistos”, ressaltou.

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Projeções – De toda forma, as estimativas para o próximo exercício seguem positivas. A Abimaq aposta em um crescimento do faturamento na mesma ordem do esperado para 2018: 7,5%. A diferença, segundo o presidente da entidade, João Carlos Marchesan, é que o resultado será alavancado pelo mercado interno.

“Estamos vivendo um momento de recuperação e temos a perspectiva de que o Brasil volte a crescer e atinja uma alta entre 2,5% a 3% no PIB (Produto Interno Bruto)”, afirmou. Minas Gerais deverá acompanhar a média nacional, segundo Veneroso.