Para o sócio-fundador da rede paranaense OrthoDontic, Fernando Massi, as franquias do segmento trazem melhor experiência para o paciente - Crédito: Madson Antunes

Não faz tanto tempo que o atendimento odontológico tinha apenas um formato. A porta do consultório indicava o nome do dentista, que atendia em uma única cadeira. Mas, nos últimos anos, o Brasil viveu um verdadeiro boom de empresas no setor, que não apenas substituíram os consultórios tradicionais, mas também mudaram a forma de oferecer o serviço odontológico. Em Minas Gerais, redes de franquias disputam espaço e clientes com propostas cada vez mais sofisticadas.

De acordo com a Associação Brasileira de Franshising (ABF), o faturamento do setor de Saúde, Beleza e Bem-Estar em Minas Gerais cresceu 4,7% no 2º trimestre deste ano, em relação ao mesmo período em 2018. O movimento no Estado segue tendência nacional, onde o crescimento foi ainda maior: 6,5%, nessa mesma base de comparação. O relatório da organização afirma que o bom desempenho das redes de odontologia está entre as causas desse crescimento.

Para o sócio-fundador da rede paranaense OrthoDontic, Fernando Massi, o crescimento é natural, tendo em vista que as franquias trazem uma modernização aos processos e melhor experiência para o paciente. Na OrthoDontic, por exemplo, os clientes conseguem agendar consultas pelo celular e, ao chegar à clínica, fazem check in em totens de autoatendimento. Além disso, o pagamento é apenas no cartão: não há dinheiro vivo nas unidades.

“O modelo tradicional de um dentista, um auxiliar e uma recepcionista, está acabando porque ele não avança. É um negócio que não comporta grandes investimentos em tecnologia e, por isso, não consegue concorrer com as redes de franquia”, afirma.

O sócio destaca que por causa do potencial de negócios das franquias de odontologia, esse é um mercado que tem despertado o interesse de diferentes perfis de investidores.

“Os investidores olhavam pouco para a área da saúde talvez por uma insegurança jurídica. Mas isso mudou: eles estão se interessando pela organização do nosso modelo e pelo potencial de escala, já que o faturamento é sobre serviços e não produtos. Está realmente fervilhando: nunca houve tanto assédio de investimento no setor”, comemora.

Massi afirma que a concorrência não o assusta porque há muito demanda pelo serviço odontológico e, portanto, muito espaço para crescer. A análise do executivo é amparada por números do setor. Dados do Conselho Regional de Odontologia mostram que, em Minas Gerais, são quase 5 mil habitantes por clínica odontológica e 546 habitantes por cirurgião-dentista.

“Cerca de 40% dos jovens no Brasil precisam usar aparelho, mas o atendimento no País está muito longe disso”, diz.

No que depender da OrthoDontic essa demanda será cada vez mais atendida em Minas Gerais. A rede já tem 28 unidades no Estado e quer chegar a 80 até o fim de 2021.

“O Sudeste é o foco da empresa e Minas Gerais é muito importante para os nossos planos. As unidades que temos no Estado hoje foram venda espontânea, mas agora queremos entrar com força no Estado e fazer uma grande apresentação da marca”, diz.

A franquia tem apenas um formato, que tem cerca de 200 metros quadrados, cinco cadeiras de atendimento e capacidade para receber 2 mil clientes por mês. O investimento inicial para abrir uma clínica é de R$ 270 mil. O faturamento médio mensal por unidade chega a R$ 200 mil.

Centralização de especialidades – O atendimento de diferentes especialidades em uma só clínica é outro segredo do modelo de franquia de serviços odontológicos. Para a diretora de expansão da franquia Sorridents, Gislene Santos, esse é o futuro da odontologia.

“Os especialistas se dividem em um mesmo espaço e oferecem um serviço multifuncional ao cliente. Isso é um grande diferencial de atendimento, afinal nosso tempo é luxo hoje”, diz.

A Sorridents é mais um exemplo de franquia de serviços odontológicos que está avançando em Minas Gerais. A marca tem uma unidade na Capital e outras quatro no interior do Estado. De acordo com a diretora, a expectativa é chegar a até 30 unidades em dois anos.

Entre as áreas de interesse da empresa estão a Capital; Sete Lagoas, na região Central; Cataguases, na Zona da Mata; Divinópolis, no Centro-Oeste; Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e o Triângulo Mineiro.

A franquia é focada na classe C e teve uma boa recepção desse público em Minas Gerais, segundo a diretora. Entre os diferenciais da marca para os clientes está um cartão de crédito próprio da Sorridents, que permite o parcelamento dos tratamentos, sem que o cliente use o limite do seu cartão de crédito. A marca tem dois formatos de franquia: Lite, que é para cidades de até 100 mil habitantes, e Master, que é implantada em regiões com mais de 100 mil habitantes. O investimento inicial varia R$ 230 mil a R$ 450 mil.

Conversão de bandeira – O crescimento das franquias nesse setor também é uma demanda dos próprios dentistas, segundo o executivo de operações da Ortoplan, Fábio Nunes. Ele lembra que muitos profissionais que abrem um consultório não têm conhecimento de gestão e, por isso, veem na conversão de bandeira uma boa saída para os seus negócios.

Essa estratégia de adaptação de consultórios já existentes ao padrão da franquia é, inclusive, a estratégia da Ortoplan para expandir em Minas. A meta é sair de duas para 47 unidades até 2025.

“A gente traz um modelo de negócios formatado e com potencial de crescimento muito maior que um consultório sozinho. Muitos dentistas têm apenas conhecimento técnico e demandam por uma proposta com esse aspecto comercial”, diz.

O executivo lembra que essa simples troca de marca já atrai o cliente, que acaba sentindo mais confiança na clínica.

“O consultório naquele modelo antigo com nome na porta vem deixando de ser atrativo para o consumidor. Uma clínica com uma fachada apresentável e uma recepção estruturada gera mais credibilidade”, finaliza.

A Ortoplan oferece dois modelos de negócios: as clínicas no modelo, com investimento de R$ 150 mil, e as do modelo Plus, cujo investimento é de R$ 280 mil. Para a conversão de bandeira, o investimento varia entre R$ 25 mil e R$ 50 mil.