Em Belo Horizonte, o pagamento do 13º salário deve ser 3,2% maior do que o de 2017, calculado em R$ 4,4 bilhões pela Fecomércio-MG - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

Ana Carolina Dias

A projeção de que o 13º salário vai injetar um montante de R$ 17,6 bilhões na economia de Minas Gerais faz com que as expectativas do varejo, para o fim de ano, sejam positivas. O valor previsto é o maior destinado ao mercado mineiro nos últimos seis anos e é aproximadamente 4,9% superior ao que foi estimado no ano passado.


Segundo levantamento divulgado ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), 47,2% dos mineiros vão utilizar o 13º para quitar dívidas, somando cerca de R$ 8,3 bilhões. O consumo será a escolha para 23% das famílias, totalizando aproximadamente R$ 4 bilhões.


Para o economista da federação, Guilherme Almeida, o resultado é esperado, considerando que o grau de endividamento dos consumidores continua elevado. O pagamento de dívidas gera um impacto positivo indireto no varejo uma vez que quem está inadimplente tem a chance de se inserir novamente no mercado de consumo. Além disso, ele destacou que a conjuntura atual é melhor do que a de 2017, com indicadores macroeconômicos como inflação, taxa de juros, geração de empregos formais e concessão de crédito caminhando de forma positiva.


“Há o impacto direto com o percentual de pessoas que vai destinar parte do benefício para os gastos no final do ano e, com um contexto econômico positivo, as perspectivas são mais favoráveis com emprego e renda para as famílias, influenciando diretamente no varejo, que é um setor que lida na ponta. Além disso, ao regularizar a situação financeira, quem está inadimplente retorna ao mercado de consumo, principalmente para adquirir bens duráveis”, afirmou o economista.


O prazo final para a quitação da segunda parcela da renda extra é no próximo dia 20 de dezembro, sendo que a primeira parte deveria ser disponibilizada aos empregados até 30 de novembro. A situação do pagamento do benefício para os funcionários públicos do Estado de Minas Gerais, no entanto, ainda não está definida. Esse atraso, na avaliação de Almeida, impacta diretamente no montante disponibilizado na economia do Estado e dos municípios e pode causar reflexos negativos para o comércio.


“As incertezas em alguns municípios e na esfera estadual sobre quando e como será o pagamento do 13º salário gera um impacto negativo uma vez que é um orçamento que não estará disponível para esse consumidor utilizar da forma como entender no final do ano, que é um período propício para o varejo”, explicou.

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Belo Horizonte – A expectativa da Fecomércio-MG é de que sejam injetados na economia da Capital cerca de R$ 4,4 bilhões com o pagamento do 13º salário, montante 3,2% acima do observado na estimativa de 2017 (R$ 4,26 bilhões).


Assim como no Estado, quase metade (47,2%) dos trabalhadores que receberão o benefício planeja destinar a renda para o pagamento de dívidas. Os consumidores que afirmaram que vão utilizar o recurso para comprar são 23%.


“As pessoas estão em um alto nível de endividamento e aproveitam o benefício para regularizar a situação e entrar no próximo ano com o pé direito. Em janeiro já temos obrigações com impostos e gastos que estão na pauta das famílias. A intenção, portanto, é usar esse recurso para tentar ter um controle maior da situação financeira”, ressaltou Guilherme Almeida.