Guilherme Mendes e Rafael Guimarães, da startup 12min, consideram a experiência no Scale-up diferenciada - Crédito: Divulgação

O mercado mineiro de inovação é uma das principais apostas da Endeavor para a sétima edição do Programa Scale-up, que apoia empreendedores de alto impacto. Ao todo, serão selecionadas 80 empresas para a segunda edição deste ano e a expectativa do coordenador da Regional da Endeavor de Minas Gerais, Guilherme Lopes, é que pelo menos 10 empresas mineiras participem do programa. As inscrições estão abertas até o dia 29 de junho e podem ser feitas no site da instituição.

Como o próprio nome diz, o programa é voltado para as empresas de alto crescimento. Isso quer dizer que precisam ser empresas inovadoras, que já validaram seu modelo de negócio, passaram pela fase de sobrevivência e começam, agora, a crescer de forma acelerada.

Segundo Lopes, esse tipo de negócio representa menos de 1% das empresas brasileiras, mas, por outro lado, geram 67% dos novos postos de trabalho no País.

“Assim como um adolescente que cresce de uma hora para outra e sente dores dos famosos esticões, essas empresas enfrentam dores de crescimento. Elas estão evoluindo muito rápido e precisam contratar muita gente em pouco tempo, lidar com diferentes camadas de liderança, falar com investidores e resolver problemas de comunicação”, afirma.

O coordenador explica que esses empreendedores sofrem de solidão na gestão e o programa auxilia nisso, promovendo espaços de convivência e troca de experiência.

De acordo com ele, o programa dura cerca de cinco meses e consiste em momentos de mentorias coletivas com empreendedores referências em diferentes assuntos. Além disso, cada empreendedor ganha um “mentor padrinho”, que também é um empreendedor que tem grande vivência da dor de mercado daquele apadrinhado. O coordenador explica que não há investimentos por parte da empresa participante e a Endeavor também não exige nada em troca.

Essa é a segunda edição do Scale-up este ano e a meta é selecionar cerca de 80 empresas em sete estados do Brasil. Segundo Lopes, entre os estados que participam desse programa, Minas Gerais é o campeão em número de empresas selecionadas. Por isso, ele está otimista e espera por, pelo menos, 10 empresas mineiras participantes nessa sétima edição.

“Nos últimos 15 anos, Minas Gerais se consolidou como polo tecnológico com a formação do San Pedro Valley, ecossistema de startups em Belo Horizonte que fomenta o surgimento de grandes empreendedores”, frisa.

Programa promove troca de experiências

Com três anos de operação em Belo Horizonte, a startup 12min foi uma das participantes da última edição do Scale-up Endeavor. A empresa oferece textos e áudios de 12 minutos com resumos de diversos livros, principalmente os mais vendidos e sobre os temas negócios, carreira e desenvolvimento pessoal.

De acordo com o CEO, Guilherme Mendes, a empresa resolve um impasse que é: se por um lado, as pessoas têm necessidade de ler e se informar mais, por outro elas não têm tempo.

A empresa trabalha com uma rede de profissionais que lê os livros e fazem resumos. Além disso, a startup tem uma equipe de revisores, narradores e profissionais responsáveis pela curadoria dos livros. A 12min é um exemplo de empresa que cresceu muito rápido: em 19 meses, ela alcançou um milhão de usuários e, atualmente, tem 1,5 milhão. Agora, a empresa parte para uma nova fase: a construção de conteúdo próprio.

O CEO afirma que a experiência no Scale-up foi muito diferenciada de todos os programas de aceleração que já participou.

“O programa é incrível porque une empreendedores que vivem momentos e problemas parecidos. A troca de experiências e desafios é enriquecedora: dá ânimo para continuar a jornada de empreendedor e traz muitos insights”, afirma.

Networking também foi o maior legado do programa da Endeavor para o co-fundador da ClubPetro, Dawisson Lage. Ele criou a empresa, que é uma aceleradora de postos de combustíveis, em Itabira, na região Central do Estado, onde se sentia pouco amparado em mentoria e troca de experiência.

“A economia de Itabira é baseada em mineração e não há uma atividade muito forte de tecnologia. No programa da Endeavor tive acesso a experiências que não vivia na minha cidade: conheci práticas modernas de gestão de outras empresas e me conectei a mentores de grandes empresas”, comemora.

A empresa desenvolveu uma solução que ajuda os postos de combustíveis a vender mais. Entre as ferramentas que eles oferecem está um programa de fidelidade personalizado para cada posto, que entrega prêmios reais e facilmente alcançáveis aos clientes, como cupons para lava-jato ou lanches nas lojas de conveniência. Além disso, a solução do ClubPetro permite a coleta de dados dos clientes e entrega aos gestores inteligência comercial com base nessas informações.

Atualmente, a empresa atende 700 postos em 26 estados. O custo da solução é uma assinatura mensal a partir de R$ 500 e, segundo Lage, a ferramenta é capaz de aumentar em 20% as vendas dos postos nos primeiros três meses.