Poucas são as terminologias que provocam grandes revoluções organizacionais e geram mudanças significativas no ambiente de negócios. O “movimento qualidade”, por exemplo, iniciativa governamental e empresarial muito presente no final do século XX, foi responsável pela transformação sofrida por boa parte das empresas brasileiras, quando o termo qualidade era usado para descrever tanto filosofias e valores corporativos, quanto sistemas gerenciais e ferramentas de gestão.

Olhando para o século XXI, parece difícil dissociar o sucesso empresarial do “desenvolvimento sustentável”, quando não adotar essa filosofia, e seus desdobramentos filosóficos, estratégicos e metodológicos, soará retrógrado, o mesmo que negar à próxima geração os recursos ambientais, sociais, econômicos e culturais herdados por nós.

Se a terminologia “qualidade” bem representou um passado recente e a “sustentabilidade” parece adequada ao futuro próximo, o momento econômico atual nutre-se da “inovação”.

O pensamento Shumpeteriano, semeado ainda na primeira metade do século 20, relaciona o desenvolvimento econômico a ciclos que combinam geração, difusão e exaustão da inovação. A economia contemporânea caracteriza-se pela velocidade em que informação, conhecimento e tecnologia são gerados e difundidos através de novos produtos e serviços. Assim, apesar de muitos ainda negligenciarem a importância da inovação para o crescimento de empresas e para o desenvolvimento econômico-social, fato é que precisamos rapidamente praticá-la.

Se inovar ainda não é unanimidade estratégica, o entendimento da semântica da inovação também é controverso. Ela pode ser compreendida sob diferentes olhares: foco de atuação (restrito a produto e processo ou ampliado para mercado, gestão e negócio); intensidade em que ocorre (novo para empresa, para a localidade ou para o mundo); adoção estratégica (precursora/seguidora, estratégica/ocasional); e efeito que provoca (inovação disruptiva ou não).

Uma famosa conceituação abrangente e filosófica da inovação é atribuída ao economista Joseph Shumpeter. Para o pensador, “inovação é a exploração bem-sucedida de novas ideias”. Nessa mesma direção, e para eliminar os conflitos de definições restritivas, tratamos a inovação corporativa, ou INOVAÇÃO 360©, como a capacidade organizacional de criar e transformar negócios: diferenciados, com proposta de valor superior, exitosos e impactantes.

AINOVAÇÃO 360©é o somatório de todas as inovações empreendidas por uma organização, assim como a força resultante de Newton, como aprendemos com a física mecânica, é o somatório das forças vetoriais aplicadas a um corpo.
O conceito ampliado da inovação 360© e sua analogia com a força resultante vetorial pode ser visualizado na figura a seguir.

Ao compreendermos os diferentes formatos em que a inovação se manifesta, e entendendo que a inovação corporativa é o somatório de diversas iniciativas de melhorias substanciais, de transformações exponenciais e de inovações rompedoras, podendo ser elas de natureza tecnológica, organizacional e de posicionamento, teremos maior clarividência para avaliar a assertividade da estratégia de inovação corporativa adotada pelas empresas.

Temos tido a oportunidade de trabalhar com centenas de empresas na última década. Podemos aqui confidenciar que o número de empresas resistentes ao “movimento inovação” vem reduzindo de maneira acelerada de cinco anos para cá. Por outro lado, é cada vez mais frequente encontrar organizações que se intitulam inovadoras, mas ainda não enxergaram a diferença entre uma inovação casual (vetorial) da inovação corporativa (resultante).

A inovação corporativa (força vetorial resultante, estratégica, 360©) é a inovação a ser perseguida. Para isso todas as forças vetoriais (inovações com diferentes focos e intensidades) devem ser empreendidas, cada qual com seus riscos e ganhos próprios. Agindo dessa forma, a organização mitigará os riscos inerentes ao processo inovativo, evitando o insucesso apesar da inovação, como ocorrido com algumas empresas não exitosas do século passado, ainda que praticassem a máxima “nossa empresa tem qualidade”.

*Sócio-diretor da DMEP