Alta no abate de suínos nos primeiros três meses deste ano é atribuída, principalmente, à recuperação dos preços do setor - Crédito: Ronaldo Ronan Rufino

Ao longo do primeiro trimestre de 2019, o abate de suínos e de frangos apresentou alta de 5% e 1,4%, respectivamente, em Minas Gerais, enquanto o de bovinos recuou 3,8%. De acordo com a Pesquisa Trimestral de Abate Animal, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também foi verificado aumento da produção de leite, 2,8%, e de ovos, 5,6%.

Segundo os dados do IBGE, no primeiro trimestre de 2019, frente igual período do ano anterior, foram abatidas 653,8 mil cabeças de bovinos. No período, o peso das carcaças atingiu 154,6 mil toneladas, variação negativa de 1,9%. O zootecnista e analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca, explica que um dos prováveis fatores que provocaram a queda entre os bovinos foi o pecuarista retendo animais no pasto a espera de um melhor momento para comercializar.

“Este ano, as chuvas foram volumosas, o que favoreceu as pastagens. A queda pode ser uma estratégia adotada pelo pecuarista à espera de melhores preços. Como as pastagens estão boas, os bovinos podem ser mantidos mais tempo no campo”, explicou.

Ainda de acordo com Fonseca, analisando dados mais atuais, do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), no período de janeiro a maio, frente igual período do ano passado, foi registrada alta de 3,2% no abate de bovinos, somando 1,3 milhões de cabeças. No período, o abate de bovinos machos cresceu 9%, chegando a 68 mil cabeças, e o de vacas caiu 3% e totalizou 601 cabeças.

“Apesar da queda apontada pelo IBGE, os dados do IMA mostram que o rebanho mineiro está estabilizado e que houve incremento no abate nos primeiros cinco meses do ano. Este é o ciclo da pecuária, após um período de aumento do abate de fêmeas e redução do rebanho, em função dos baixos preços, o momento agora é de retenção das matrizes e maior abate dos machos. A tendência para o fim do ano é de crescimento do rebanho”, destacou.

Crescimento – Os demais itens pesquisados no Estado apresentaram resultados positivos. No caso dos suínos, foi verificada elevação de 5% no abate, totalizando 1,3 milhão de cabeças. O peso das carcaças aumentou 4,5% e encerrou o período em 118,8 mil toneladas. O crescimento nos abates é atribuído à recuperação dos preços do setor.

“O ano passado foi caótico para o setor de suínos em Minas Gerais, onde tivemos alta dos custos e redução dos preços, o que promoveu a queda na oferta dos animais. Com a oferta mais ajustada à demanda, os preços voltaram a valorizar e incentivaram o abate. Mesmo com a elevação dos preços, o momento não é de euforia, porque os produtores estão quitando as dívidas acumuladas ao longo do último ano”, explicou.

Mantendo a mesma base de comparação, foram abatidos 105,8 milhões de frangos em Minas Gerais, variação positiva de 1,4%. O peso das carcaças retraiu 3,9% e encerrou o intervalo em 237,6 mil toneladas.

“O atual cenário econômico, de alta taxa de desemprego e comprometimento da renda das famílias, estimula o consumo de proteínas com preços mais acessíveis, que é o caso do frango”, disse Fonseca.

Após um ano de queda de preços, a aquisição e industrialização de leite cresceram, no primeiro trimestre, e somou 1,56 bilhão de litros, alta de 2,8%.

“O ano anterior foi marcado pela retração dos preços e desestímulo dos produtores. Com isso, a oferta retraiu e a demanda das indústrias seguiu aquecida, promovendo os preços e estimulando a produção. Além disso, a oferta maior de pastagem também estimula o aumento do volume de leite”.

País alcança produção recorde de ovos

Rio de Janeiro – A produção de ovos de galinha cresceu 6% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de 912,6 milhões de dúzias de ovos é a maior para um primeiro trimestre da série histórica da pesquisa, iniciada em 1984.

Apesar disso, na comparação com o último trimestre do ano passado, houve queda de 3,1% na produção de ovos de galinha.

As Pesquisas Trimestrais da Pecuária mostram que a aquisição de leite pelas unidades que industrializam o produto cresceu 3% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. A aquisição de 6,2 bilhões de litros também foi a maior para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.

Assim como ocorreu com a produção de ovos, na comparação com o último trimestre do ano passado, houve uma queda (-7,5%) na aquisição de leite.

A aquisição de couro pelos curtumes caiu em ambas as comparações: 2,2% frente ao primeiro trimestre de 2018 e 5,8% no confronto com o último trimestre daquele ano.

Abate de animais – A pesquisa também registra abates de bois, porcos e frangos. O abate de bovinos (7,89 milhões de cabeças no primeiro trimestre deste ano) cresceu 1,6% na comparação com o primeiro trimestre e caiu 3,6% em relação ao último trimestre do ano passado.

No caso dos suínos (11,31 milhões), houve altas em ambas as comparações: 5,5% e 1,1% respectivamente. Já o abate de frangos (1,45 bilhão) registrou quedas de 2% e de 2,3%, respectivamente. (ABr)