Foram criadas 43,7 mil empresas em Minas Gerais entre janeiro e novembro deste ano - CREDITO: ALISSON J. SILVA

O número de empresas abertas em Minas Gerais entre janeiro e novembro deste ano chegou a 43,7 mil, crescimento de 13,8% na comparação com os mesmos meses de 2017, quando foram constituídas 38,4 mil empresas no Estado. Os dados foram divulgados pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg).

Apesar do crescimento no número de empresas constituídas, houve um aumento, ainda mais forte, na quantidade de empreendimentos que encerraram as atividades. De janeiro a novembro, 33,1 mil empresas fecharam as portas em Minas Gerais, 24,4% de evolução sobre as 26,6 mil extinções registradas no mesmo período de 2017.

Para o coordenador do Departamento de Economia da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Guilherme Almeida, o crescimento das extinções de empresas no Estado tem a ver com o despreparo de pessoas desempregadas, que abriram um negócio como opção para gerar renda, sem o planejamento adequado.

“Muitos desempregados acabaram encontrando a abertura da sua própria empresa como uma forma de ter rendimento. São o que chamamos de empreendedores por necessidade. Muitas vezes esses empreendimentos não têm planejamento adequado e esse é um dos motivos para a taxa de mortalidade dessas empresas ser alta”, explicou.

Outro motivo apontado pelo economista da Fecomércio Minas para o fechamento de empresas no Estado é a instabilidade da economia ao longo de 2018. Segundo Almeida, a confiança dos agentes econômicos também afeta a vida de uma empresa porque o comércio lida com o consumidor final. “Quem lida na ponta (do consumo) está sujeito a esta volatilidade da economia”, disse.

Melhorias – Já a Jucemg defende que o motivo do aumento das extinções de empresas no Estado também reflete uma série de melhorias e simplificações implantadas ao processo nos últimos anos. Desde agosto de 2014, o procedimento de fechamento de empresas conta com a isenção de certidões negativas, por exemplo.

Além disso, a sincronia de dados com a Receita Federal do Brasil (RFB) e órgãos federais e a não necessidade de comprovação de débitos fiscais para realizar a baixa também contribuíram para facilitar e acelerar os processos de encerramento na Jucemg nos últimos anos.

Apesar de a entidade não detalhar os dados de constituições e fechamento de empresas por setor, a Jucemg afirma que a maior parte dos processos, em ambos os casos, está vinculada aos setores de comércio e serviços e a maioria das constituições e extinções de negócios são micro e pequenas empresas (MPEs).

Sobre as alterações de empresas, que representam, uma tentativa dos empresários de buscar novos mercados e, até mesmo, podem refletir o crescimento de alguns empreendimentos, foram 145,1 mil até novembro deste ano contra 126,6 mil nos mesmos meses de 2017, uma evolução de 14,6%.