Representantes da fabricante brasileira de aeronaves disseram que a Embraer não comentará o assunto envolvendo a possibilidade da venda de sua divisão comercial - Foto: Antônio Milena/Abr

Rio de Janeiro – A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) afirmou ontem que vai entrar com ação civil pública contra a operação de venda do controle da divisão comercial da Embraer para a norte-americana Boeing, por entender que a transação deveria disparar uma oferta pública de aquisição de ações para todos os acionistas da fabricante brasileira de aeronaves.

O processo será encaminhado junto à 24ª vara civil federal de São Paulo do Tribunal Regional Federal da 3ª região.

A ação quer que a Justiça anule reunião do conselho de administração da Embraer, ocorrida em julho do ano passado, que autorizou as negociações da companhia brasileira com a Boeing.

O conselho da Embraer ratificou acordo para o que chama de joint-venture com a Boeing em 11 de janeiro, depois que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou ter aberto mão do direito de veto que possui na Embraer em questões estratégicas.

Negócio – “Não existe joint venture, isso é sofisma da administração da Embraer. Existe cisão seguida de venda”, afirmou o presidente da Abradin, Aurelio Valporto. “O que restar da Embraer não sobreviverá, a médio prazo, sem pesados subsídios estatais, daí as perspectivas de rebaixamento anunciadas pelas agências de rating, como Standard & Poor’s e Fitch”, acrescentou.

Representantes da fabricante brasileira de aeronaves Embraer afirmaram que a empresa não comentará o assunto.

Recentemente, a Embraer anunciou que estima ter uma posição líquida de caixa quando concluir a venda do controle de sua divisão de aviação comercial para a norte-americana Boeing, mas alertou que terá lucro pequeno ou zero nos próximos dois anos.

Ontem, o Credit Suisse cortou o preço-alvo dos recibos de ações da Embraer negociados nos Estados Unidos de US$ 28 para US$ 24. (Reuters)