Opção por Cledorvino Belini foi comunicada ao mercado pela estatal na última semana - Foto: CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

Embora as ações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tenham encerrado ontem com queda de 2,31%, sendo comercializadas na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) a R$ 13,09, especialistas avaliam que é cedo para qualquer associação com a escolha do ex-presidente da Fiat Cledorvino Belini para presidir a estatal. O nome do executivo foi anunciado na última sexta-feira (8) em substituição ao antigo diretor, Bernardo Alvarenga.

Belini presidiu a montadora localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), entre 2004 e 2015 e assumirá, pela primeira vez, um cargo em empresa estatal. Formado em administração pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em finanças, ele possuiu MBA pela Fundação Dom Cabral. O executivo trabalhou na Fiat por 44 anos e foi indicado à presidência da Cemig pelo governador Romeu Zema (Novo).

“É um nome que veio do mercado corporativo, que bem administrou, por anos, a Fiat, e a tendência é que faça um bom trabalho também na companhia de energia. Ainda é cedo para falarmos sobre as reações do mercado com sua indicação, mas já avaliamos a inclinação para o plano de privatização da estatal, como estuda o governo mineiro, em seu plano de recuperação fiscal”, avaliou o analista da Lopes Filho, Alexandre Furtado Montes.

Em relação à forte queda dos papéis da companhia ontem, Montes destacou que o Índice Bovespa também encerrou o dia com recuo, neste caso, de 0,98%, e que, por este motivo, não necessariamente as ações da Cemig tiveram queda em virtude da nomeação. As principais perdas do mercado financeiro ocorreram nos setores de Utilidade pública, Finanças e Materiais básicos, levando as ações a uma baixa.

Já o ex-diretor da Cemig Aloísio Marcos Vasconcelos Novais ressaltou que, embora tenha visto a nomeação com otimismo, o mesmo não pode ser dito do mercado, fazendo menção justamente à queda dos papéis da estatal. “Belini é uma pessoa experiente, ‘de peso’, empresário e administrador reconhecido. Tem vivência no mercado mineiro e eu o respeito e torço para que seu trabalho à frente da estatal dê certo”, resumiu.

Peça estratégica – Ele completou que o ex-presidente da Fiat poderá ser peça fundamental para reestruturação da companhia energética, incluindo a negociação com credores, desalavancagem, fazendo uma empresa mais enxuta e eficiente. “Ele conhece o mercado financeiro e as instituições. Tem tudo para ser um bom presidente”, apostou.

Sobre a queda de 2,31% nas ações, Novais disse que pode ser interpretada como certa cautela por parte dos acionistas, já que a estatal passou o dia com os papéis em baixa. “Os investidores parecem estar mais conservadores do que o governo”, completou.

Em fato relevante enviado ao mercado, a Cemig informou, na última semana, que o Conselho de Administração deliberou a nova composição da diretoria executiva, nomeando Cledorvino Belini como diretor-presidente, acumulando, em caráter de interinidade, os cargos de diretor vice-presidente, diretor jurídico e diretor de Gestão de Pessoas.

Ainda conforme a Cemig, continuam na diretoria Daniel Faria Costa, diretor de Gestão de Participações; Dimas Costa, diretor Comercial; Mauricio Fernandes Leonardo Júnior, diretor de Finanças e Relações com Investidores; e Ronaldo Gomes de Abreu, diretor de Distribuição e Comercialização.

Leonardo Jr. vai acumular, interinamente, o cargo de diretor de Relações Institucionais e Comunicação. Já Abreu irá acumular os cargos de diretor de Gestão Empresarial e diretor de Geração e Transmissão.