Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, contou como trabalha com a família - Alefotografo

O tema de governança em empresas familiares ganhou uma sessão específica em cada dia do 19º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado na segunda-feira e ontem, em São Paulo. A primeira teve o tema “Legado que inspira:

desafios da inovação em empresas familiares” e contou com o professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Jacques Marcovitch e a fundadora do Museu da Pessoa – que também fica na capital paulista –, Karen Worcman.

Considerando que as adversidades, assim como o erro, fazem parte do crescimento e desenvolvimento saudável dos negócios, vale também considerar o legado para se estudar as experiências anteriores. “É muito comum ver gerações que já enfrentaram adversidades dizerem que não irão permitir que as próximas gerações passem pelo que passaram. Mas, dessa forma, elas acabam tolhendo das novas gerações a possibilidade de forjar esse espírito de empreendedorismo”, explicou Karen Worcman.

Já o professor Jacques Marcovitch lamentou o fato de que os livros de histórias do Brasil valorizam políticos, manifestações, contestações e grandes feitos negativos, mas não valorizam personagens que são pioneiros empresariais. Ele ainda ressalta a memória como um valor das empresas familiares. “Inovação é também a capacidade que uma empresa tem de fazer uso de sua própria história para aprender, porque o contexto muda, mas a aprendizagem é contínua”.

Novas gerações – A trilha familiar do segundo dia teve como tema “O papel das novas gerações na reinvenção da gestão dos negócios familiares” e contou com a participação da fundadora da InvestPort, Mirela Rappaport, e do fundador da Mauricio de Sousa Produções, Mauricio de Souza.

O criador da Turma da Mônica lembra que em sua trajetória teve a ajuda da família para distribuir e tornar as suas historinhas em quadrinhos conhecidas no mundo todo. Hoje, filhos, sobrinhos, neto e mulher fazem parte da empresa, cada um exercitando a função de acordo com as suas competências e capacidade. “Não me importo em ter familiares na empresa, desde que sejam ótimos profissionais”, contou.

Hoje, a marca representa o consumo de 86% das revistas em quadrinho no Brasil e movimenta mais de R$ 2 bilhões em licenças e produtos diversos. Criada em 1959, a Turma da Mônica já alcança a sua terceira geração de leitores.

E para explicar como a inovação e a percepção sobre o contexto em que se inserem são determinantes para a longevidade das empresas, Mirela Rappaport levou ao debate dois cases conhecidos.

“No início dos anos 2000, os filmes fotográficos representavam 50% das vendas da Fujifilm, mas a empresa já estava em pânico pelo momento de transição para o digital, e decidiu investir nisso, em soluções tecnológicas. Por isso, em 2017, suas receitas já eram 40% maiores do que em 2001. Já a Kodac não teve a ideia de investir em inovação e preferiu reforçar o marketing de seus produtos já existentes. Ela não sobreviveu como a concorrente”, analisa.

Para a empresária, as empresas familiares devem desenvolver um ambiente de confiança. “Tem que se formar regras de governança que façam todos os membros da família se sentirem confortáveis dentro daquela estrutura. E todos têm que ter conhecimento amplo sobre a empresa. Outro ponto é que as empresas devem aprender com os erros e não crucificar a primeira decisão de investimentos que deu errado, por exemplo”, ponderou. (JB)