Forte safra de café no último ano contribuiu consideravelmente para o crescimento da atividade observado no Estado - Crédito: ERIC GONÇALVES / ARQUIVO DC

Mesmo com o cenário econômico enfraquecido no País, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais conseguiu superar os obstáculos e encerrou 2018 com alta expressiva de 3,55%, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com o aumento verificado no período, o PIB da atividade alcançou R$ 199,22 bilhões.

A elevação constatada no indicador do agronegócio fez com que o Estado passasse a responder por 13,82% do PIB nacional do setor, índice que, nos últimos anos, ficou em torno de 10%. Em relação ao PIB total de Minas Gerais, a atividade passou a representar 33,29% dos R$ 598,5 bilhões registrados em 2018.

O setor, em Minas Gerais, tem grande potencial para superar em 2019 o resultado observado no ano passado, mas, para que isso aconteça, é necessário que ocorram mudanças como a desburocratização dos processos no Estado e no País. A aprovação das reformas previdenciária e tributária também é vista como essencial para o maior avanço do agronegócio mineiro.

De acordo com o presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), Roberto Simões, o resultado positivo mostra a importância do setor para a economia de Minas Gerais.

“Apesar de estarmos vivendo um período negativo, o agronegócio de Minas Gerais continua mostrando a robustez em termos de fornecer resultados positivos. Enquanto o PIB geral do Brasil, em 2018, apresentou alta de 1,1% e o de Minas Gerais cresceu 1,2%, nós chegamos a 3,55%. Quer dizer, se não fosse nosso setor, o PIB mineiro seria negativo. O PIB do agronegócio correspondeu a 33,29% do total mineiro, mostrando que é um setor importante e que precisa de mais atenção. Com esse resultado, também saímos da marca de representar 10% do PIB do agronegócio nacional e subimos para 13,82%. É um aumento considerável em relação ao Brasil”, destacou Simões.

Café e grãos – Ainda segundo Simões, o resultado positivo observado em Minas Gerais foi influenciado por uma safra forte de café, uma produção recorde de grãos e a contribuição também favorável do setor da pecuária.

“Mais uma vez, ressaltamos a força do agronegócio. O setor em Minas é bastante diversificado, o que gera maior segurança e reduz os riscos. É uma atividade bastante consolidada e muito diversificada. Daqui pra frente, precisamos destravar mais o Estado e desburocratizar os processos. Caso isso ocorra, o agro poderá cumprir o papel ao longo do tempo e crescer a níveis superiores ao registrado em 2018”.

Para 2019, a expectativa é de, pelo menos, repetir o resultado de 2018. “Este ano, até o momento, apesar de todas as incertezas, o quadro que temos é de que não há de se esperar grande crescimento e nem grande perda, embora a safra de café seja menor. Devemos ficar próximos aos resultados obtidos em 2018, o que, se acontecer, será muito bom”, afirmou o presidente do Sistema Faemg.

Em relação às reformas da Previdência e tributária, Simões classifica as mesmas como essenciais para o crescimento do setor agropecuário.

“É fundamental e imprescindível que as reformas sejam feitas ainda neste ano. Precisamos que isso ocorra para podermos avançar. Se continuar da maneira como estamos hoje, vamos quebrar. As reformas são fundamentais para o desenvolvimento e para a retomada dos investimentos, que são necessários e estão parados há anos. Além da reforma da Previdência, a reforma tributária também é fundamental, porque o emaranhado que está hoje traz muitas complicações para o setor. Há muitas discussões sérias que precisam ocorrer para achar soluções adequadas e o País avançar”, concluiu.

Agricultura registra alta generalizada

O avanço de 3,55% no agronegócio de Minas Gerais no ano passado foi promovido pelo crescimento de 5,6% verificado no setor agrícola e de 0,74% registrado na pecuária.

Na agricultura, foi verificada alta em todos os segmentos da atividade. Na indústria houve crescimento de 8,43%, em serviços, de 1,44%, e insumos, de 6,10%.

De acordo com os dados do Cepea, o setor primário da agricultura (dentro da porteira) apresentou alta de 6,33% em 2018. O resultado se deve ao desempenho positivo verificado em importantes culturas, como o café, soja, algodão herbáceo e milho.

No caso do café, principal produto da agricultura mineira, em 2018, foi registrada uma safra 26,49% maior, o que compensou o recuo de 11,51% nos preços e fez com que o valor da produção crescesse 11,963%. Alta também foi vista na soja. A produção ficou 7,6% maior e os preços subiram 7,29%, contribuindo para um faturamento 15,54% maior. A safra 54,65% maior e a valorização de 14,54% nos preços do algodão herbáceo permitiram um avanço de 77,13% no valor da cultura. No milho, apesar da queda de 11,4% na produção, os preços ficaram 14,74% maiores e o valor da produção encerrou o ano passado com alta de 1,62%.

O aumento de 8,43% na indústria agrícola foi resultado de crescimento em atividades de grande peso no Estado, como etanol hidratado (47,37%), celulose (36,99%) e óleo de soja refinado (32,63%). Já entre atividades que apresentaram queda, destacam-se açúcar (-42,61%) e café (-5,72%).