Cesar Vanucci*

“Ampla e fecunda atividade sacerdotal!”
(Artigo de Alexandre Gonçalves Amaral
sobre Juvenal Arduini publicado em 1967)

Trago hoje, de meus arquivos, com o intuito de reverenciar de forma mais significativa a memória do sociólogo Juvenal Arduini, cujo centenário de nascimento vem sendo celebrado, um precioso texto, datado de 7 de dezembro de 1967. Trata-se de artigo assinado por ninguém mais, ninguém menos, do que Alexandre Gonçalves Amaral, arcebispo dotado de sabedoria invulgar, cultura fulgurante, por muitos considerado o maior orador sacro do episcopado nos seus tempos de vigor físico. Arduini pertenceu ao quadro sacerdotal da Arquidiocese de Uberaba, à época em que Alexandre ali exerceu seu munus pastoral. Bispo mais moço à época da sagração, Alexandre era o bispo com maior tempo de presença eclesial no mundo na hora de sua partida. Nutria por Juvenal enorme afeição.

O artigo de sua lavra, que ocupa hoje este espaço, estampado no antigo diário “Correio Católico”, de Uberaba, faz prova disso. A republicação representa uma forma de complementar a manifestação de apreço devida ao saudoso Juvenal Arduini, nesta celebração de seu centenário.

“Sacerdos in Aeternum” é o título do artigo de Alexandre Gonçalves Amaral.
“Os pais se alegram nas alegrias e triunfos dos filhos. Isto é uma verdade experimental, razoável e até revelada. Não somente a experiência, mas também a razão humana e até a Revelação Divina proclamam esta verdade simples e consoladora. E ela é válida, não somente no plano da paternidade segundo o sangue, mas também nas dimensões da paternidade segundo o espírito e segundo a graça.

Já é a quarta turma de Sacerdotes que ordenamos, a celebrar as Bodas de Prata Sacerdotais. A 8 de dezembro de 1942, ordenamos Sacerdote o Monsenhor Juvenal. Amanhã, pois, ele celebrará o seu jubileu de prata sacerdotal. Haverá, às 10 horas, na Catedral, em que ele se ordenou, uma celebração. Vários irmãos no Sacerdócio, que também naquele dia comemoram mais um aniversário de ordenação sacerdotal, presididos pelo mesmo bispo que lhes conferiu o Sacerdócio, estarão concelebrando com o jubilado.

Esta é a homenagem oficial do Arcebispado no dia da Imaculada Conceição, a Virgem-Mãe do Eterno Sacerdote, data oficial das ordenações nesta Arquidiocese. Sem dúvida, muitos fiéis católicos tomarão parte, com as suas preces, com as suas comunhões e as suas presenças, nas justíssimas alegrias de amanhã.

Ministro de Cristo e dispensador dos mistérios de Deus entre os homens – assim configura e caracteriza o Sacerdote o ardente S. Paulo (I Cor, IV – I). Monsenhor Juvenal, durante estes vinte e cinco anos, vem desenvolvendo, aqui, a sua ação autenticamente sacerdotal.

Em vários e diversificados campos do apostolado sacerdotal, é bem marcante a sua presença, o seu dinamismo sobrenatural. Desde o Seminário São José, em que se formam os futuros Sacerdotes, até o Hospital São Domingos, em que se reformam as imagens humanas do Divino Sacerdote, as miniaturas humanas do Divino Redentor, em todos os setores da sua ampla e fecunda atividade sacerdotal, está bem impressa a marca inconfundível do seu ser sacerdotal e da sua realização consequente. Os púlpitos daqui e de alhures, cátedras da Verdade Eterna, registram a tonalidade sobrenatural da sua voz. As cátedras de várias instituições de ensino, em todas as suas dimensões, conservam o diapasão do doutrinador seguro, ao qual nem faltou a confirmação do sofrimento configurador a Cristo, a Quem muitos desejaram apedrejar: “Tulerunt ergo lapides ut jacerent in eum”. (S. João, VIII – 59).

Ainda nos lembramos, com edificação e silenciosa admiração, de 1964, em que pouquíssimos ousavam levantar a sua voz contra os novéis triunfadores, acastelados na sua intangibilidade, que, por vezes, não trepidavam na prática de gritantes injustiças… Na mocidade e na juventude da terra centenária do Major Eustáquio, bem como na intelectualidade do Triângulo, de Minas e do Brasil, a sua doutrinação ecoa, sempre vibrante. A imprensa registra, frequentemente, a sua palavra doutrinadora, que os seus livros tornam duradoura. Nem se poderia olvidar o guia seguro de consciências, o que exerce o poder de reger, com suavidade firme e com firmeza suave, os que buscam as veredas do Senhor. Mas é, sobretudo, o poder santificador do Sacerdote, o que mais empolgante se apresenta. O magistério e a regência são o prólogo, são a preparação, para o ministério. É o santo sacrifício da Missa, são os sacramentos e sacramentais, os batizados, os casamentos, as absolvições segredadas às grades do confessionário, as unções dos enfermos, a Sagrada Eucaristia distribuída, as bênçãos dadas – tudo isto forma o rosário luminoso e áureo destas Bodas de Prata.

E, por tudo isto, seja o Senhor bendito! E, por tudo isto, seja Monsenhor Juvenal confirmado na sua graça sacerdotal, para ser confirmado no seu eterno Sacerdócio: “Tu es sacerdos in aeternum.”

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)