São Paulo – O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, defendeu ontem que haja investigação das denúncias que levaram à prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa, também tucano, mas admitiu que o episódio fragiliza o seu partido.

“Nós defendemos primeiro investigação, isso vale para todo mundo, todos os partidos. Defesa intransigente da Lava Jato. Vamos aguardar, eu acho que o que a população deseja é que haja justiça. Eu não tenho conhecimento desses fatos, mas vamos aguardar, eu acho que sempre apoiar o trabalho de investigação e confiar na Justiça”, afirmou o ex-governador, que também é presidente nacional do PSDB, a jornalistas após participar de sabatina promovida por Folha de S.Paulo, UOL e SBT.

Ao ser questionado se isso afeta a sua campanha ao Planalto, Alckmin não respondeu, mas admitiu que pode haver impacto sobre o seu partido.

“Claro que isso fragiliza o partido, aliás eu acho que todos os partidos estão fragilizados, por isso eu tenho sempre destacado a questão da reforma política, nós precisamos fazer a reforma política”, declarou, acrescentando que o PSDB até poderia apurar os assuntos paralelamente à Justiça, mas que já há outros órgãos fazendo isto.

Com o ex-governador Beto Richa (PSDB) preso sob suspeita de corrupção, alvo de duas operações deflagradas ontem, o procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que a Operação Lava Jato é “apartidária” e que foro privilegiado é obstáculo para responsabilização de políticos.

Codinome – “Nós não temos essa preocupação (com o partido do alvo), a Lava Jato é uma investigação apartidária. Sempre foi. Nós já tínhamos chegado a pessoas de diversos partidos”, disse Carlos Lima, em entrevista à imprensa concedida pela força-tarefa da Lava Jato, sobre a 53ª fase da operação, batizada de Operação Piloto – referência ao codinome de Richa nas planilhas da propina da Odebrecht.

O ex-governador que deixou o cargo no início do ano para concorrer a uma vaga do Senado pelo Paraná é o alvo central da operação de ontem da Lava Jato, que apura propina de R$ 4 milhões da Odebrecht paga em 2014 pelo contrato de concessão da rodovia PR-323.
A Piloto foi deflagrada no mesmo dia em que o Ministério Público Estadual também deflagrou a Operação Patrulha Rural e prendeu Richa, sua mulher, Fernanda Richa, e o irmão do ex-governador José Carlos Richa, o Pepe Richa.

Para o procurador, as apurações contra Richa e as medidas cautelares contra ele e aliados têm relação com os andamentos das investigações na primeira instância, após o tucano perder o foro privilegiado. “Infelizmente, o foro privilegiado é um obstáculo às investigações é um obstáculo para punir muitas pessoas de outros partidos”, avaliou. (Reuters/AE)