No grupo transportes, o etanol foi o subitem com maior variação (6,62%), seguido de passagem aérea (2,82%) e gasolina (2,58%) - REUTERS/Paulo Whitaker

Enquanto a inflação oficial do País cresceu 0,75% em março, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,29% no terceiro mês deste exercício, representando a segunda menor variação entre as 16 áreas pesquisadas. Com o resultado, a inflação na capital mineira acumulou alta de 1,52% no primeiro trimestre de 2018 e de 4,61% nos últimos 12 meses.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, segundo o coordenador da pesquisa no IBGE Minas, Venâncio da Mata, indicam elevação em relação ao ano passado e aos meses anteriores. Conforme ele, tanto na média nacional quanto na RMBH, os preços têm apresentado crescimento.

“Existe um movimento de alta da inflação, influenciado principalmente pelos preços dos combustíveis e alimentos em todo o País”, disse.

No Brasil, por exemplo, segundo ele, o índice dos três primeiros meses do ano passado chegou a 0,69% e, neste ano, já atinge 1,51%. Já na Grande Belo Horizonte, no primeiro trimestre do ano passado, a inflação chegou a 0,92% e, neste ano, acumula 1,52%.

Ainda de acordo com o coordenador, o índice desagregado de março foi superior ao de fevereiro em quatro dos nove grupos pesquisados: artigos de residência, vestuário, transportes e saúde e cuidados pessoais na RMBH. Já frente a março de 2018, três grupos apresentaram variações superiores: vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais.

Contribuições – As maiores variações absolutas ocorreram nos grupos de alimentação e bebidas e transportes, ambos com alta de 1,04% no mês. A segunda elevação ocorreu em vestuário (0,73%).

Entre os subitens pertencentes ao grupo de alimentação e bebidas, destacaram-se mamão (33,69%), tomate (23,87%), batata-inglesa (23,73%), repolho (17,41%), brócolis (15,40%) e alface (14,29%).

No grupo transportes, os subitens com os maiores aumentos foram etanol (6,62%), passagem aérea (2,82%) e gasolina (2,58%).

Em relação à variação negativa mais expressiva do índice na RMBH, houve destaque na habitação: 1,25%, e o subitem energia elétrica residencial, com queda de 5,89% nos preços, foi o que mais impactou negativamente o índice geral em março.

“Foi esse, inclusive, o principal diferencial da taxa na Região Metropolitana de Belo Horizonte em relação à média nacional no último mês”, explicou Venâncio da Mata.

No caso do País, a elevação de 0,75% nos preços, no terceiro mês de 2019, foi a maior observada para março desde 2015.

No País, índice tem maior nível para mês em 4 anos

Rio de Janeiro / São Paulo – A inflação oficial brasileira acelerou a alta com força em março e registrou o maior nível para o mês em quatro anos, levando o acumulado em 12 meses a superar o centro da meta oficial pela primeira vez desde outubro.

Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou avanço de 0,75%, depois de ter subido em fevereiro 0,43%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem.

Esse é o nível mais alto do índice desde junho de 2018 (1,26%) e o mais forte para o mês de março desde a taxa de 1,32% registrada em 2015.

Com isso, o índice acumulado em 12 meses passou a registrar avanço de 4,58%, sobre 3,89% no mês anterior, o que representa o maior nível desde fevereiro de 2017 (4,76%).

Assim, o IPCA supera o centro da meta oficial de inflação do governo para 2019, de 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. É a primeira vez que isso acontece desde outubro do ano passado, quando o objetivo era de 4,5%.

No mês passado, o Banco Central antecipou que a inflação acumulada em 12 meses deve atingir um pico em torno de abril ou maio, para depois recuar para patamar abaixo do centro da meta deste ano.

Gasolina e tomate – Em março, a pressão veio de alimentos e transportes, que, juntos, representam 43% das despesas das famílias e responderam por 80% do índice do mês.

“O lado positivo da alta de março é que ela foi concentrada e não espalhada. Isso mostra que ela pode ir e voltar. Temos que acompanhar o clima para os próximos meses”, disse o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

Os preços de alimentação e bebidas aceleraram a alta a 1,37%, de 0,78% em fevereiro, com os alimentos para consumo no domicílio subindo 2,07% e tomate (31,84%), batata-inglesa (21,11%), feijão-carioca (12,93%) e frutas (4,26%) pesando.

Já os custos de transportes aumentaram 1,44% em março, deixando para trás a queda de 0,34% no mês anterior. O avanço de 3,49% nos preços dos combustíveis foi o principal responsável pelo resultado, com a gasolina custando 2,88% a mais.

A inflação de serviços, por sua vez, desacelerou levemente com taxa de 0,32%, de 0,39% em fevereiro.

Apesar da maior pressão em 12 meses, o cenário para a inflação é confortável, diante do quadro de recuperação lenta e gradual da economia e do mercado de trabalho ainda fraco, mantendo a perspectiva de manutenção dos juros básicos este ano.

Após manter a Selic na mínima histórica de 6,5% ao ano, o BC indicou que, diante da retomada econômica abaixo do esperado, o balanço de riscos para a inflação passou a ter pesos iguais tanto para cima quanto para baixo, o que tirou o impedimento explícito que o BC vinha apontando para eventualmente diminuir os juros à frente.

A pesquisa Focus mais recente realizada pelo BC mostra que os economistas projetam alta do IPCA este ano de 3,90%, indo a 4% em 2020. (Reuters)

Preços para 3ª idade sobem 1,49% no trimestre

Rio de Janeiro – O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de pessoas com mais de 60 anos de idade, registrou inflação de 1,49% no primeiro trimestre deste ano. Em 12 meses, o IPC-3i acumula taxa de 5,37%, acima dos 4,88% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que mede a inflação para todas as faixas de idade.

A taxa do IPC-3i cresceu de 0,8%, no último trimestre do ano passado, para 1,49% no primeiro trimestre deste ano.

Quatro das oito classes de despesa componentes do índice registraram aumento em suas taxas de variação. A principal contribuição partiu do grupo habitação, que passou de uma deflação (queda de preços) de 0,89% para uma inflação de 1,46%.

Também contribuíram para o aumento da taxa os grupos saúde e cuidados pessoais (de 1,14% para 1,28%), transportes (de -0,20% para 0,14%) e despesas diversas (de 0,31% para 0,69%).

Por outro lado, tiveram queda na taxa os grupos educação, leitura e recreação (de 2,85% para 1,09%), vestuário (de 1,46% para -0,32%) e comunicação (de 0,22% para 0,17%). (ABr)