Em 2019, a internet completa meio século de existência. Desde a sua criação, pode-se entender que ela passou por quatro fases. A primeira foi quando a internet transformou o formato de compreensão, acesso ao conhecimento, informação, às notícias e ao entretenimento.

A segunda fase pôde ser percebida quando a internet dedicou-se a transformar o modo como eram feitas transações, sejam elas financeiras – fazer pagamentos e transferências –, ou comerciais, por meio do e-commerce, que é a compra e venda de produtos.

A terceira fase faz parte, diariamente, da vida dos brasileiros. São as mídias sociais, que foram criadas para estabelecer um relacionamento on-line entre as pessoas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 94,2% dos brasileiros usam a internet para trocar mensagens e imagens com amigos, colegas de trabalho e familiares.

Ao chegar à quarta fase, é possível encontrar o que se chama de Internet das Coisas. Esse tipo de tecnologia é o que faz não só computadores e celulares terem acesso à internet, mas também outras máquinas. Como explica o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Flávio Maeda, essa tecnologia funciona quando um sistema de táxis, por exemplo, é adaptado para um formato de aplicativo que conecta motoristas e passageiros.

“No momento em que surge a Internet das Coisas e que começa a quarta onda da revolução da internet, todas as empresas têm que estar antenadas e têm que se preocupar com isso”, explica Maeda. Ele defende a importância das empresas da indústria brasileira se adequarem à tecnologia para não perderem clientes e terem papel de destaque na inovação.

Segundo Maeda, a internet das Coisas pode começar a funcionar já no corpo do ser humano. É possível colocar sensores de saúde que controlam o bem-estar, alertam quando o coração está prestes a desenvolver taquicardia ou ter um enfarte. Dessa forma, a pessoa pode ter as coordenadas do que deve ser feito para cuidar melhor da saúde e prevenir essas situações.

As empresas que se adaptam a essa nova tecnologia podem estar um passo à frente de outras que se mantêm resistentes. É o caso de uma empresa da indústria farmacêutica nacional de grande porte, que, com o auxílio de um administrador de empresas na área de software, conseguiu melhorar os processos de produção. Ao adotar a internet das Coisas como ferramenta de trabalho, a empresa conseguiu aumentar em 20% a produção, reduziu em 8% os gastos com horas extras e não precisou comprar nenhuma máquina nova para isso.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou o estudo “Indústria 4.0 e Digitalização da Economia”, que faz parte das propostas que foram entregues aos presidenciáveis, neste ano.

O estudo mostra que a Indústria 4.0 faz alusão a uma quarta revolução industrial, e que a inserção de novas tecnologias na indústria é necessária para o avanço pra produtividade e competitividade das empresas brasileiras.

“As tecnologias digitais têm o potencial de contribuir para a solução de grandes problemas nacionais. Então, se a gente pensar em atendimento à saúde, de eficiência energética e mobilidade urbana. Tudo isso pode ser melhorado. A prestação de serviço para a sociedade pode ser melhorada por meio de tecnologias digitais”, explica o gerente-executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio.

Qualificação e preparo – Com a necessidade de preparar as empresas e inseri-las no contexto da Indústria 4.0, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), passou a oferecer consultorias por meio do programa Brasil Mais Produtivo (B+P). O programa já atendeu três mil empresas em todas as regiões do País.

Dados da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) mostram que as empresas que participaram do programa, em 2017, alcançaram aumento de 52% de produtividade nas linhas de produção. O objetivo, nesta nova etapa, é atender 600 empresas entre 2018 e 2019.