Apesar do interesse, Sica diz que argentinos estão tranquilos - Crédito: Marcos Brindicci / Reuters

Brasília – A Argentina acompanha com atenção o desenrolar do processo eleitoral no Brasil para entender como será a política econômica futura, disse o ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, ressaltando, contudo, que não há preocupação com a disputa presidencial.

“Temos observado o processo eleitoral, mas não estamos preocupados”, afirmou ele a jornalistas, após reunião em Brasília com o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Jorge.

Segundo Sica, o tema é natural foco de atenção, já que quando o “Brasil vai bem, a Argentina vai bem”, sendo que um crescimento de 1 ponto no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro implica alta de 0,25 ponto para o vizinho do Mercosul, de acordo com ele.
Falando a jornalistas, Sica também elogiou a transparência das eleições no Brasil e a rapidez com que os resultados são divulgados.

Sobre as perspectivas para a atividade na Argentina, ele afirmou que o país deve ver uma queda menor do PIB no quarto trimestre e uma recuperação “muito mais generalizada” entre o primeiro e o segundo trimestres de 2019.

Influência – Também presente na coletiva, Marcos Jorge afirmou que, segundo estudos da Câmara de Comércio Exterior (Camex), há redução de cerca de 4,4% dos embarques brasileiros para a Argentina a cada 1 ponto de contração do PIB argentino.

Como reflexo desse quadro, no ano até setembro, as exportações para a Argentina recuaram 4,6%, ao passo que as importações subiram 17,5%.

Na semana passada, a entidade representativa das montadoras brasileiras, Anfavea, estimou que o Brasil deve amargar uma redução de 8,6% nas exportações de veículos neste ano por conta da crise na Argentina.

Em desvalorização, a moeda argentina perdeu mais de 50% de seu valor contra o dólar neste ano até agora.

Atingido por grave recessão econômica, o país anunciou recentemente um acordo de financiamento de US$ 57 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para resgatar a confiança de investidores e pagar o serviço da sua dívida externa em 2019. (Reuters)