Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – A avaliação positiva do governo do presidente Jair Bolsonaro oscilou 1 ponto percentual para cima em abril, a 35%, após apresentar uma trajetória de queda entre janeiro e março, mostrou pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem.

No primeiro mês do ano, a avaliação ótima ou boa do governo era de 49%, caindo para 39% em fevereiro e 34% em março, segundo levantamentos feitos pelo Ibope.

A pesquisa do Ibope divulgada ontem, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, mostrou que 31% dos entrevistados consideram o governo regular (ante 34% em março), enquanto 27% acham que é ruim ou péssimo (em comparação a 24%). A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

Para Renato Fonseca, gerente-executivo de pesquisas da CNI, a aprovação de Bolsonaro é semelhante às intenções de voto que ele tinha antes do segundo turno. Na votação final, disse, o eleitor teve que fazer uma escolha entre ele e o petista Fernando Haddad.

“O que está refletindo nos números, aquelas pessoas que não estavam engajadas na campanha de Bolsonaro, elas ainda não estão convencidas de que o governo vai atender aos seus anseios”, disse Fonseca em entrevista coletiva para comentar os resultados.

“Alguns eleitores achavam que votando no Bolsonaro a economia voltaria a crescer, e essas pessoas ficaram decepcionadas”, acrescentou, ao citar que muita gente está desempregada, sem aumento de salário e “tudo isso acaba caindo na conta do presidente”.

A pesquisa mostrou que 49% desaprovam a atuação do governo no combate ao desemprego, em comparação com 45% que aprovam.

Mas de maneira geral, a forma de governar de Bolsonaro é aprovada por 51% dos entrevistados (mesmo índice registrado na sondagem anterior), enquanto 40% a desaprovam (na sondagem anterior, eram 38%).

Segundo o levantamento, 51% confiam no presidente (eram 49% em março), enquanto 45% não confiam (era 44% na pesquisa anterior).

Início – Outros presidentes em início de primeiro mandato tiveram uma avaliação ótima ou boa superior a de Bolsonaro, segundo a série histórica da CNI/Ibope.

Em maio de 1990, Fernando Collor tinha 45% de avaliação positiva; em março de 1995, Fernando Henrique Cardoso registrou avaliação positiva de 41%; em março de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva tinha 51%; e, em março de 2011, Dilma Rousseff alcançava 56%.

“A gente percebe que o Jair Bolsonaro está acima do segundo mandato de Dilma, Temer e Itamar Franco (na avaliação positiva), mas apenas nos eleitos em início do mandato ele está em último”, disse Fonseca, da CNI. Em janeiro de 1993, Itamar tinha 34%, enquanto Dilma tinha 12% em março de 2015 e Michel Temer, 14% em setembro de 2016.

O gerente da CNI afirmou que não é possível avaliar se uma eventual aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso vai ajudar o presidente a recuperar a sua avaliação de governo. Essa reforma ajuda a reduzir o déficit e eleva a expectativa de investidores na retomada da confiança do País.

“Não tem milagre, não vai ser a reforma que vai gerar o aumento da popularidade. Isso vai depender da percepção da população e de como o governo vai vender esse projeto”, avaliou Fonseca.

O Ibope ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre o dias 12 e 15 de abril. (Reuters)