Foto: Amintas Vidal

Os anos 90 foram decisivos para as novas marcas de automóveis que chegaram ao Brasil após a liberação das importações pelo governo Collor. Neste período, o mercado formou sua opinião sobre cada montadora. Além dessa imagem individual, elas consolidaram conceitos coletivos, atribuídos a determinadas marcas originadas de um mesmo país.

Capitaneadas por Honda e Toyota, as japonesas se notabilizaram por produzir carros com acabamentos de qualidade, mecânica durável e, consequentemente, bom valor de revenda. Outra percepção atribuída às nipônicas é sua vocação para o fora de estrada.

Exceto a Honda, todas oferecem, ou ofereceram, mais de um modelo 4×4 em suas linhas. Nissan, Toyota e Mitsubishi sempre tiveram picapes e SUVs em seus showrooms. A Suzuki tornou-se referência off-road com seus “jeeps” compactos e, a Subaru, além de utilitários vende versões esportivas de seus carros, equipadas com tração integral.

A Nissan ofereceu alguns SUVs e crossovers que fizeram companhia à picape Frontier, o seu modelo mais longevo no Brasil. Pathfinder, XTerra e X-Trail ajudaram na imagem aventureira que a marca desfrutou no mercado nacional, principalmente nos anos 2.000. Atualmente, apenas a Frontier e o SUV compacto Kicks defendem essa bandeira, oferta insuficiente para sustentar esse status.

Se o legado de outrora, quase esquecido pela Nissan, não tem ajudado nas vendas da Frontier, com certeza influenciou no ótimo projeto desta 12ª geração da picape e foi determinante para reedição da versão Attack, variante que fez muito sucesso nas duas gerações anteriores.

A geração atual foi lançada em março de 2017, importada do México na versão de topo da gama, LE. Em novembro do mesmo ano, chegou a versão intermediária, SE, de mesma origem. No fim de 2018, ela passou a ser produzida na nova planta da Nissan localizada em Córdoba, Argentina, como modelo 2019.

Além de detalhes estéticos, e algumas mudanças técnicas, houve ampliação no número de versões, de duas para quatro. Nesta fábrica, e sobre a mesma base mecânica da Frontier, a Nissan monta as picapes Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, mais um atestado da qualidade da picape da marca japonesa.

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Suspensão traseira é digna de elogios

Frontier Attack – DC Auto recebeu a Frontier Attack 4×4 automática para avaliação. Substituta da versão intermediária SE, a Attack manteve seu preço, tabelado em R$ 153,59 mil. Ela traz mudanças estéticas (como adesivos laterais com o nome da versão e a inscrição “4×4” na cor prata) e alguns equipamentos a mais. Também foram adotados adesivos sobre o capô, grade frontal, protetor do para-choque dianteiro, para-choque traseiro, estribos laterais, “santantônio” e rack de teto, tudo na cor preta.

Farol com máscara negra, rodas escurecidas calçadas com pneus 225/70 R16 todo terreno, câmera de marcha à ré, central multimídia com tela de 8 polegadas e possibilidade de espelhamento através dos aplicativos Android e iOS e controle de áudio no volante completam a lista de diferenciais em relação à antiga Frontier SE.

Ar-condicionado, direção hidráulica, duplo airbag, ABS, controle eletrônico de tração e estabilidade, controle automático de descida e sistema de auxílio de partida em rampa são alguns dos principais equipamentos presentes que já faziam parte da versão anterior.

Todas as versões da Frontier têm cabine dupla e tração 4×4. A básica, S, é a única com câmbio manual de 6 marchas e motor diesel 2.3 16V com apenas um turbo e 160cv de potência. As versões LE, XE e Attack são equipadas com o mesmo motor, porém biturbo, que desenvolve 190cv e 45,9 kgfm de torque entre 1.500 e 2.500 rpm.

Nesta configuração de motor, o câmbio é automático de 7 velocidades com possibilidade de trocas manuais sequenciais através da alavanca de comutação das marchas. O sistema de tração integral permite circular em 4×2 traseira, 4×4 e 4×4 reduzida.

Segundo os engenheiros da marca, apesar de não haver bloqueio de diferencial, uma nova programação do ABS permite identificar e bloquear uma roda sem tração para transferir a força para outra roda que tenha aderência, fazendo a função que seria daquele recurso, ausente na Frontier.

Destaques – Circulamos por mais de 600 km, em vias de asfalto e terra, suficiente para uma boa avaliação dentro e fora de estrada. Nesse vermelho sólido, a Frontier Attack chamou atenção por onde passou, atraindo olhares admirados.

O belo, mas discreto design desta geração, ganhou realce com o contraste dos adesivos nas cores prata e preto, bem como os equipamentos externos, também pintados em preto. As pessoas acreditavam se tratar de uma versão superior.

Mas ao verem por dentro, entendiam que era uma intermediária. O revestimento dos bancos em tecido, o painel, portas e consoles em plástico duro, além do ar condicionado manual, entregavam sua origem “classe média”.

Por outro lado, a central multimídia com tela de 8 polegadas e os controles no volante (este revestido em material que imita couro, assim como as alavancas de marcha e de freio de mão) foram equipamentos acrescidos em relação à antiga SE que agradaram à todos.

Os apoios de braço nas portas, revestidos em tecido acolchoados, o apoio de braço central do banco traseiro, agora com porta copos e as saídas do ar-condicionado para parte de trás da cabine receberam elogios dos passageiros.

Vale lembrar que o modelo 2019 também ganhou os importantes ganchos Isofix para ancoragem de assentos infantis, cinto de três pontos e encosto de cabeça na posição central do banco traseiro.

*Colaborador