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AMINTAS VIDAL*

Os sedans já dominaram o mercado automotivo. Os pragmáticos três volumes se tornaram o símbolo do carro, reconhecido desde os desenhos infantis até os pictogramas de sinalização.

Necessidades humanas corromperam essa silueta dando origem a outros tipos de automóveis que passaram a dividir a preferência do consumidor pelo mundo. O carro mais vendido do planeta ainda é um sedan, o Toyota Corolla. Mas a “espécie” vem perdendo terreno para os seus descendentes.

Entre os dez soberanos globais de 2018, figuraram apenas três sedans, mesmo número de SUVs. Picapes e hatches apareceram com dois representantes cada.

No Brasil, a situação é ainda menos favorável. No mesmo período, entre os dez modelos mais emplacados, sete eram hatches e, apenas um, era sedan. Uma picape e um utilitário esportivo fechavam a conta.

Até o mês de maio, as vendas de 2019 apresentam o mesmo cenário do ano passado. O sedan é o Chevrolet Prisma, na incrível quarta posição entre todos os modelos de automóveis e comerciais leves juntos. O Fiat Cronos é, apenas, o 36° colocado nesta mesma lista unificada.

DC Auto recebeu o sedan da Fiat na versão Drive com o câmbio manual para avaliação. Em abril publicamos a avaliação desta mesma versão, porém, com o câmbio automatizado GSR.

Agora, pontuaremos as diferenças dinâmicas entre os dois, além de relembrarmos as principais características comuns. Preços e equipamentos de série também são diferentes.

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Cronos Drive 1.3 – Segundo o site da montadora, o sedan compacto Fiat Cronos Drive 1.3, manual, tem o preço sugerido de R$ 61,99 mil.

Seus principais equipamentos de série são: ar-condicionado manual, central multimídia de 7 polegadas touchscreen com Android Auto e Apple Car Play, bluetooth, entrada USB e sistema de reconhecimento de voz, volante com comandos de rádio, telefone, regulagem de altura e direção elétrica progressiva.

Também estão presentes airbag duplo, ABS com EBD, ESS (sinalização de frenagem de emergência), lane change (função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa) e gancho universal para fixação cadeira criança (Isofix).

Conta com quadro de instrumentos de 3,5 polegadas multifuncional com relógio digital, calendário e informações do veículo em TFT personalizável, entre outros equipamentos.

Em relação à versão GSR, mais cara R$ 4,7 mil, a manual não trás de série, e nem oferece como opcional, controles de estabilidade e tração (ESC + TC), hill holder (sistema ativo freio com controle eletrônico que auxilia nas arrancadas do veículo em subida), controlador de velocidade (piloto automático) e o Start&Stop (desligamento/acionamento automático do motor).

Pacotes opcionais – A unidade avaliada ainda estava equipada com três opcionais: o kit Stile (faróis de neblina, rodas de liga leve de 5 polegadas calçadas com pneus 185/60 R15 e banco traseiro bipartido), o kit Parking (sensor de estacionamento traseiro com visualizador gráfico e câmera de ré com linhas dinâmicas) e o Kit Convenience (retrovisores externos elétricos e vidros elétricos traseiros) oferecidos por R$ 3,18 mil, R$ 1,76 mil e R$ 2,15 mil, respectivamente.

Todos os Cronos Drive 1.3 são equipados com o motor Firefly flex de 4 cilindros em linha. Seu cabeçote tem comando de válvulas simples tracionado por corrente com variação de abertura na admissão e na exaltação. Com alta taxa de compressão, 13.2/1, seu torque máximo é 14,2/13,7 kgmf às 3.500 rpm e a potência atinge 109/101cv (etanol/gasolina) às 6.250 rpm.

O motor Firefly dá agilidade à versão, sem sobra. O câmbio tem engates precisos, mas o curso da alavanca é longo, tanto no sentido lateral como no longitudinal. Com este câmbio, o condutor tem o carro mais a mão, controlando acelerações e reduções de forma mais responsiva, mas perde o conforto do Hill Holder, precisando fazer o controle de embreagem nas arrancadas em subidas.

O sistema de acoplamento aparenta trabalhar em seu limite de torque, pois trepida um pouco quando mais exigido, ou a unidade testada apresentava desgaste prematuro por mau uso.

A relação das marchas não é das mais longas. Aos 110 km/h, engrenado na quinta marcha, o motor já está girando às 3.200 rpm. Nessa condição já é possível ouvir o seu ruído dentro da cabine, mas de forma contida, pois o isolamento acústico é bom. Rodando de forma econômica, alcançamos 14 km/l em estradas e 9 km/l na cidade, usando apenas etanol no tanque.

A direção elétrica é muito leve em manobras e firme e direta em velocidade, o suficiente para ser segura e dar prazer ao dirigir. O sensor de estacionamento traseiro e a câmera de marcha à ré com guias de esterço são recursos muito bem vindos ao Cronos, um modelo longo e largo, pois facilitam entrar e sair de vagas apertadas.

A versão Drive só é oferecida com rodas de 15 polegadas. As suspensões têm um acerto mais voltado para o conforto, mas a carroceria não inclina tanto em curvas como acontecia no Siena, por exemplo.

Este conjunto entrega estabilidade suficiente para um compacto familiar e garante um ótimo conforto de marcha, pois os pneus com ombros mais altos absorvem melhor as irregularidades do asfalto.

Interior é simples, mas bastante confortável, ergonômico e espaçoso

Os bancos são revestidos em tecido simples, os painéis feitos em plástico rígido, mas tudo bem encaixado e com variação de texturas que valorizam o visual do conjunto. O design das peças é moderno e o uso de cores e pequenos detalhes cromados conferem alguma sofisticação.

A ergonomia é acertada, com todos os comandos à mão, mas valem duas observações: os pedais estão muito deslocados para a direita, o suficiente para, em algumas ocasiões, o pé direito entrar atrás do console central que não se estende até o final da cabine, algo que pode atrapalhar no comando do acelerador. Já os puxadores das portas dianteiras são muito deslocados para frente, dificultando o fechamento das mesmas.

O Cronos acomoda confortavelmente, em largura, apenas dois adultos e uma criança no banco de trás, mas entrega um bom espaço para as pernas de todos. Já na parte da frente, passageiro e motorista ficam muito bem acomodados.

A posição ao volante é alta, mesmo com o banco na regulagem mais baixa. O ar condicionado é eficiente, apesar de ser analógico. O sistema multimídia funcionou muito bem, tanto conectado ao bluetooth como à porta USB, quando usamos o Android Auto.

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O volante, o mesmo usado em modelos Fiat e Jeep, é completo e com fáceis comandos, tanto os frontais quanto fixados na parte de traseira. Estes últimos requerem adaptação, mas são os mais ergonômicos e seguros, pois não desviam o olhar do condutor aos utilizá-los.

O porta-malas comporta 525 litros e, usando o rebatimento de parte do encosto traseiro, foi possível transportar uma bicicleta aro 20 sem desmontá-la. Seu tanque de combustível comporta 48 litros, garantindo uma autonomia de mais de 670 km em nosso deslocamento por estradas.

Apesar de estarem caindo nas listas de emplacamentos, os sedans compactos são modelos mais racionais e menos caros que os SUVs do seu tamanho. Além de entregarem maior capacidade de carga, eles são mais confortáveis e seguros, pois, por terem o centro de gravidade mais baixo, são mais estáveis, mesmo tendo as suspensões mais macias.

*Colaborador