Comandante-geral da PM, coronel Helbert Figueiró de Lourdes, apresentou relatório na sede da Fiemg

A questão da segurança como fator de atração de investimentos e seus desdobramentos na competitividade foram tema de apresentação na sexta-feira (14), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Foi apresentado balanço da Polícia Militar (PM), que demonstra resultados positivos para o ambiente de negócios.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ressaltou que o setor industrial tem um custo adicional de 1,3% a 3% dependendo do segmento, em função da insegurança no País. “Segurança é fator de competitividade. O impacto no ambiente econômico é muito grande porque o setor privado tem que contratar seguros mais caros de cargas, em função do índice de sinistros, segurança para as empresas, além dos serviços que têm custos de segurança embutido. É um custo para a sociedade”, diz.

Para Roscoe, a legislação brasileira precisa mudar para diminuir a impunidade e aumentar a celeridade da Justiça. “Temos pessoas que são presas dez vezes por ano pela Polícia Militar. É um prende e solta, prende e solta”, diz.

O dirigente destacou que Minas tem na segurança um dos principais atributos para atração de investimentos. “Não queremos só a melhor segurança do Brasil. Temos que almejar uma das melhores seguranças do mundo. E para isso são necessárias algumas transformações, inclusive na legislação”, diz.

De acordo com relatório da Polícia Militar (PM) apresentado na sexta-feira, o número de crimes violentos em Minas Gerais reduziu 39% nos últimos dois anos. Além disso, houve aumento de 2,75% no número de apreensão de armas de fogo, redução de 22,81% de homicídios e queda de 48,92% no número de ataques a instituições financeiras – explosões de caixas eletrônicos. Em 2017 foram registradas 186 ocorrências e em 2018, forma 95 explosões.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Helbert Figueiró de Lourdes, disse que entre as estratégias para a reversão dos números da criminalidade nos últimos dois anos está a implantação das bases de segurança, a redução administrativa, o combate à alta criminalidade com a implementação dos veículos blindados e maior efetividade das ações da polícia ostensiva.

Segundo ele, houve redistribuição de efetivo, reequilíbrio da relação PM/habitante, identificação de municípios mais violentos e investimentos em treinamentos policiais e aquisição de armamentos.

“Enfrentamos as dificuldades e saímos da zona de conforto das reclamações de falta de dinheiro. Fomos buscar alternativa de gestão e chegamos a uma situação muito melhor de segurança no Estado. A sociedade precisa que a polícia melhore e esse processo é contínuo”, diz.

Para o comandante, o “prende e solta” é fator desmotivador para quem trabalha nas ruas, mas destacou que esse é um problema do Brasil, que tem que ser resolvido no campo legislativo. “Temos uma legislação que permite ao camarada praticar diversos delitos, ser preso em flagrante e retornar à rua. Tivemos uma reunião com o presidente eleito e uma das questões postas é a necessidade urgente de mudar a legislação no que diz respeito à reiteração criminal”, diz.

O comandante-geral agradeceu ao efetivo policial. “Temos a convicção de que ainda temos muito a melhorar, mas também de que fizemos muito nos últimos dois anos. Esses dados são uma entrega para a sociedade. Só tenho a agradecer o emprenho de 41 mil policiais que superaram dificuldades”, diz.