Rio e São Paulo – A empresa de fertilizantes Mosaic anunciou ontem a paralisação da produção em minas de fosfato em Tapira, no Alto Paranaíba, e em Catalão (GO), com o objetivo de cumprir novas regras para barragens de mineração no País, e destacou que poderá importar produtos para atender a demanda brasileira.

A empresa norte-americana, dona das maiores operações de fosfato do Brasil, informou em comunicado que há produtos e estoques suficientes para atender compromissos comerciais no curto prazo no País.

“Durante este período e conforme necessário, a companhia também enviará fosfatos de suas operações na Flórida e produtos de sua mina peruana para uso na produção brasileira para atender às necessidades dos clientes no Brasil”, afirmou.

O fosfato é um dos três ingredientes básicos da maioria dos fertilizantes utilizados na agricultura, sendo os outros o potássio e o nitrogênio.

Apesar de ser um grande produtor agrícola, o Brasil depende de importações para cerca de 70% de suas necessidades de fertilizantes. A produção local de fosfatos, por exemplo, é de cerca de 1 milhão de toneladas por ano, principalmente das minas Mosaic, de uma demanda anual estimada em torno de 5 milhões de toneladas.

A Mosaic disse que está tomando essas medidas para cumprir as novas normas brasileiras que regem as barragens de rejeitos de minas, após o desastre em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com uma estrutura da Vale que deixou em janeiro cerca de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

A mineradora brasileira é acionista da empresa norte-americana, com quase 9% de participação, desde um acordo de venda da Vale Fertilizantes para a Mosaic, concluído em 2018.

Em nota, a Mosaic especificou que foram acionados planos de emergência de nível 1, sem a necessidade de evacuação das áreas, nas barragens BL1 e BR, em Tapira, e BR, em Catalão, e que busca entregar Declarações de Condição de Estabilidade (DCEs) o quanto antes.

“A empresa reafirma que as barragens não apresentam riscos iminentes de ruptura e reitera seu compromisso com as comunidades e regiões onde atua”, disse.

“A Mosaic possui planos de ação estruturados para obtenção de resultados finais e não medirá esforços para obter as DCEs o mais rápido possível.”

De acordo com a Mosaic, o prazo para entrega das declarações era 31 de março, mas a empresa solicitou junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) uma extensão para a data limite referente às três barragens com atividades agora suspensas.

Em seu comunicado, a firma norte-americana aponta ainda que “os trabalhos de investigação geotécnica, análises com consultores externos e ações de remediação continuarão até as barragens atingirem os novos critérios de segurança”. (Reuters)