Maior crescimento nas remessas de recursos do País foi naquelas destinadas a Portugal e Canadá: 230,7% e 228,4%, respectivamente

São Paulo – A disparada do dólar acima de R$ 4,20 ontem obrigou o Banco Central (BC) a atuar extraordinariamente no mercado de câmbio, o que aliviou a pressão de alta, mas não impediu que a moeda norte-americana renovasse a segunda maior cotação do Plano Real.

Uma combinação de cautela com a cena eleitoral e preocupações com a situação da Argentina puxaram a moeda norte-americana em uma sessão altamente volátil: na máxima, a moeda foi a R$ 4,2155, com quase 2,50% de valorização, e, na mínima, chegou a R$ 4,1197. O dólar avançou 0,78%, a R$ 4,1463 na venda. O dólar futuro subia 0,85%.

“Não havia nenhuma demanda genuína por dólar em R$ 4,20, era apenas efeito manada”, argumentou o diretor de Tesouraria de um grande banco estrangeiro.
O BC, percebendo o movimento, não perdeu tempo. Anunciou leilão de até 30 mil contratos de swap cambial tradicional – equivalentes à venda futura de dólares -, correspondente a US$ 1,5 bilhão, mas só conseguiu completar a venda em uma segunda oferta, minutos depois.

Essa atuação extraordinária, no entanto, pode não ter passado de um movimento pontual, sem necessariamente se manter nos próximos pregões, avaliaram especialistas ouvidos pela Reuters. A autoridade já havia concluído antes a rolagem dos contratos de swap que venciam em setembro, totalizando US$ 5,255 bilhões.

Em outubro, segundo dados do site do BC, vencem US$ 9,801 bilhões em contratos de swap e há uma expectativa no mercado de que o BC, a exemplo do que fez com a linha -venda de dólares com compromisso de recompra -, também possa anunciar sua intenção de rolar integralmente esse volume, para evitar qualquer especulação.

Efeito externo – A valorização do dólar ontem teve influência do avanço ante divisas de emergentes no mercado externo e também a cautela com a cena eleitoral. O movimento ganhou tração quando a Argentina elevou os juros a 60% ao ano, de 45%, o que causou um movimento forte de stop loss (quando o investidor zera posição para reduzir as perdas).

“A Argentina foi a cereja do bolo hoje”, disse o diretor de operações da Mirae, Pablo Spyer, ao comentar o cenário nervoso de ontem.

Embora os especialistas comentem que o quadro doméstico é diferente do argentino, por exemplo, com nossas contas externas muito mais saudáveis, os investidores acabam promovendo ajustes generalizados em suas carteiras de emergentes quando há preocupação em algum dos lugares em que investem.

A pesquisa DataPoder360 divulgada na madrugada de ontem não trouxe um cenário muito diferente dos outros levantamentos, com Lula liderando a disputa e Geraldo Alckmin (PSDB), o candidato do mercado, sem decolar.

Mas mostrou que se Lula tiver que abrir mão da candidatura para Fernando Haddad, este teria potencial de receber 8% de votos “com certeza”, enquanto 26% “poderiam votar” nele no caso de ser apoiado pelo ex-presidente. Ou seja, seriam grandes as chances de um segundo turno com a presença de um petista.

B3 – O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% ontem, com o efeito negativo da maior aversão ao risco no ambiente global sendo amplificado na bolsa paulista pelas preocupações com o cenário eleitoral brasileiro. O principal índice de ações da B3 recuou 2,53%, a 76.404,09 pontos. O volume financeiro somou R$ 9,7 bilhões. (Reuters)