Crédito: Enildo Amaral/BCB.

Brasília – O Banco Central apontou uma “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, mas manteve o discurso de que precisa de tempo para analisar a fundo o quadro antes de eventual mudança na rota dos juros, incluindo nessa equação o impacto das reformas na economia.

Em sua ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada ontem, o BC enfatizou que o sucesso das reformas, em especial de natureza fiscal, desempenha um papel fundamental sobre a atividade, numa provável referência à importância da reforma da Previdência nesse contexto.

“O processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas o cenário básico contempla sua retomada adiante”, trouxe o BC.

O BC avaliou no documento que alguns efeitos de choques vividos pela economia em 2018 ainda persistem e acrescentou que “incertezas sobre aspectos fundamentais do ambiente econômico futuro – notadamente sobre sustentabilidade fiscal – têm efeitos adversos sobre a atividade econômica”.

“A manutenção de incertezas quanto à sustentabilidade fiscal tende a ser contracionista”, afirmou.

“Reformas que geram sustentabilidade da trajetória fiscal futura têm potencial expansionista, que pode contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica, além de mitigar os riscos de episódios de instabilidade com elevação de prêmios de risco, como o ocorrido em 2018”, pontuou.

Quando manteve a Selic na mínima histórica de 6,5% na semana passada, o BC já havia reconhecido mais sinais de fraqueza econômica, mas sublinhou que, mesmo assim, seu balanço de riscos para a inflação continuava simétrico.

Guedes – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que a projeção de crescimento do governo para a economia neste ano já caiu para 1,5% e que nesse patamar é necessário novo congelamento nas despesas orçamentárias.

“Vocês vão ver que o crescimento que era 2% quando eles fizeram as primeiras informações já caiu para 1,5% e quando cai para 1,5% as receitas são menores ainda, e aí já começam os planejamentos de contigenciamento de verbas para frente”, disse Guedes em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso.

Também na CMO, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou ontem que o governo vai reduzir a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para menos de 2%. Segundo ele, os novos números serão apresentados no próximo dia 22, data limite para publicação do relatório bimestral de receitas e despesas.

Por enquanto, o governo estima oficialmente alta de 2,2% do PIB. A redução dessa previsão levará o governo a fazer novo bloqueio no Orçamento – investida antecipada por Rodrigues desde a semana passada.

A nova projeção do governo para expansão do PIB ficaria mais alinhada à do mercado financeiro. Na véspera, a pesquisa Focus do Banco Central havia mostrado que a estimativa para alta do PIB em 2019 foi diminuída para 1,45%, na 11ª semana seguida de redução. (Reuters)