Segundo Teixeira, testes mostram que biocombustível de macaúba rende igual ao biodiesel usado hoje - Crédito: Divulgação

A busca constante por fontes de energia alternativas tem estimulado as empresas a investirem em pesquisas. Uma das iniciativas é a desenvolvida pela FPT Industrial – empresa do Grupo CNH Industrial -, que testou o desempenho do biodiesel de macaúba em motores de tratores. O biocombustível apresentou diversas vantagens, entre elas o menor índice de oxidação, maior durabilidade, rendimento compatível com o diesel tradicional e menor emissão de gases que provocam o efeito estufa. Vários testes ainda estão sendo feitos, mas as expectativas em relação ao uso do combustível à base de macaúba são positivas.

De acordo com o coordenador de engenharia do produto Biodiesel de Macaúba da FPT Industrial, Gustavo Teixeira, a busca por novos combustíveis sustentáveis foi um dos principais fatores que estimularam a pesquisa.

A opção pela macaúba se deu em função da palmeira ser nativa do cerrado brasileiro. Além disso, existem plantios comerciais da palmeira em Minas Gerais e em outros estados, o que facilita a oferta caso o biocombustível seja aprovado para uso. O rendimento da planta também é vantajoso quando comparado com as demais alternativas. Uma das mais utilizadas, a soja, possui produtividade dez vezes menor do que a macaúba. Outra vantagem é que a cultura é perene e pode ser cultivada no Sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

A pesquisa foi desenvolvida no Technical Center em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e considerou a aplicação do biocombustível em tratores agrícolas.

De acordo com as informações da empresa, o óleo de macaúba utilizado nos estudos foi extraído pela Cooper Riachão, uma cooperativa de produtores rurais da região de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. O biodiesel foi produzido em uma usina experimental por meio da transesterificação – reação química para a obtenção do biodiesel – e caracterizado em laboratório, atendendo aos padrões estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Boa adaptação – “As pesquisas mostraram resultados importantes. Sempre que fazemos testes com novos produtos, é necessário que sejam realizadas modificações, seja no tanque de armazenamento, alguma peça do sistema ou até mesmo na calibração. Porém, até o momento, não foi necessário nenhuma alteração no sistema dos tratores. Os testes mostraram que o biocombustível de macaúba oxida menos, o que permite maior durabilidade nas máquinas, isso é importante para os tratores que ficarão parados no período de entressafra. Outra vantagem foi que o rendimento é equivalente ao biodiesel utilizado atualmente. Além disso, a emissão de gases que provocam o efeito estufa foi menor”, avaliou Teixeira.

Ainda segundo Teixeira, com os resultados positivos, a expectativa é de despertar o interesse do mercado. Outro fator que pode incentivar a produção e uso do biodiesel de macaúba são as diversas pesquisas que estão sendo realizadas nas faculdades, incluindo desde a produção de sementes para plantio da macaúba até técnicas para ampliar a produtividade.

Outros testes com o biodiesel já estão em execução. Ainda em fase laboratorial, estão sendo realizadas pesquisas em motores de caminhões e ônibus, além de geradores de energia.