São Paulo – Um rali diante do desfecho esperado, de confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância, levou o Ibovespa a bater novo recorde ontem, aos 83.680,00 pontos, e valorização de 3,72%. O giro financeiro foi forte, de R$ 15,7 bilhões. Durante o pregão, as ações ligadas ao governo, de empresas estatais como Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil estiveram entre as maiores valorizações do índice à vista, entre 6% e 7%. Os papéis ON e PN da petroleira renovaram seguidas máximas levando o preço a R$ 20,00 e R$ 19,00, respectivamente – as maiores cotações dos últimos anos. Mário Mariante, estrategista-chefe para renda variável Planner Corretora Valores, ressalta que a força desses papéis no pregão de hoje reflete em parte o sentimento de que estão cada vez mais remotas as chances de Lula voltar a ocupar a Presidência da República. “Há sempre o receio de que a volta do PT traga novamente o uso das empresas estatais federais pelo governo”, disse o profissional, lembrando que a Petrobras tem de vender ativos para reduzir sua dívida e há um trabalho duro de reconstrução da empresa após o impacto da Lava Jato. O relator do recurso de Lula no Tribunal Regional Federal (TRF-4),desembargador João Pedro Gebran, foi o primeiro a proferir seu voto. Ele decidiu aumentar a pena total imposta ao petista pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do triplex do Guarujá. Em vez de 9 anos e 6 meses, o magistrado pediu pena de 12 anos e um mês de reclusão de regime fechado. Em seguida, o desembargador Leandro Paulsen, presidente da 8ª Turma do TRF-4 e revisor do processo, também decidiu pela manutenção da condenação de Lula pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Ele seguiu o relator e pediu que o petista cumpra 12 anos e um mês em regime fechado. Terceiro e último a se manifestar, o desembargador Victor Laus acompanhou integralmente o voto dos outros dois desembargadores. Segundo ele, Lula deveria ter impedido o esquema de corrupção. “Neste momento, o que está importando para o mercado é Lula não ser candidato. Ainda não se precificou as consequências disso, do ponto de vista da corrida eleitoral”, disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe Nova Futura CTVM, referindo-se ao fato de o ex-presidente, fora do pleito, vir a apoiar fortemente alguém. O economista Alexandre Espirito Santo, da Órama, não vê a questão do julgamento como algo definitivo para o médio prazo, quando Tribunal Superior Eleitoral (TSE) for instado a se manifestar. Nesse contexto, diz, os mercados seguem favorecidos pelo ambiente internacional, com 22 dias consecutivos de entrada de dinheiro de investidores não-residentes na bolsa, o que contribui para que o giro financeiro seja algo excepcional para o mês de janeiro. Dólar – A perspectiva dos investidores de que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse mantida por unanimidade pela 8ª Turma do TRF-4 – o que acabou se confirmando – fez o dólar à vista fechar na casa dos R$ 3,17, no menor patamar em mais de três meses, depois de ter alcançado os R$ 3,15 durante a sessão. No mercado futuro, com a confirmação do placar de 3 a 0, a moeda americana para fevereiro fechou a R$ 3,15, em queda de quase 3%. Contribuiu para a forte apreciação do real a queda generalizada da divisa americana no exterior. O dólar à vista terminou em baixa de 1,93%, a R$ 3,1734. É o menor valor de fechamento desde 18 de outubro de 2017, quando ficou em R$ 3,1679. O giro foi de US$ 1,349 bilhão. Na mínima, chegou a R$ 3,1524 (-2,58%) e, na máxima, a R$ 3,2316 (-0,13%). No mercado futuro, o dólar para fevereiro encerrou em queda de 2,81%, a R$ 3,15. “O cenário externo também contribuiu para o otimismo doméstico, uma vez que as commodities subiram”, comentou Leandro Ruschel, sócio-fundador do Grupo L&S. A moeda americana recuava ante moedas fortes e emergentes.

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