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São Paulo – O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% ontem, ampliando os ganhos no final da sessão após o presidente Jair Bolsonaro aprovar o texto da reforma da Previdência que será enviado ao Congresso no próximo dia 20, bem como encerrar o impasse sobre a idade mínima que vinha causando ruídos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,27%, a 98.015,09 pontos, perto da máxima da sessão (98.018,83 pontos). O volume financeiro somou R$ 19,1 bilhões.

A cerca de 1 hora do fechamento do pregão, o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou que Bolsonaro decidiu por uma idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres, patamares que serão atingidos após um período de transição de 12 anos.

“Ainda faltam detalhes, mas ao que tudo indica Guedes e companhia conseguirão emplacar uma reforma robusta. O jogo começa só agora e está dentro do cronograma”, destacou o estrategista Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos, em nota enviada a clientes.

Para o economista-chefe do Banco J. Safra, Carlos Kawall, foi um desfecho muito positivo. “Ganhos com transição e idade mínima em torno de R$ 400 bilhões em dez anos. Com ganhos totais da reforma em torno de R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões”, disse o ex-secretário do Tesouro Nacional.

A bolsa já tinha encontrado um suporte mais cedo, após dados mostrarem que as vendas no varejo norte-americano tiveram a maior queda em mais de nove anos em dezembro. No mercado de juros futuros nos Estados Unidos, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve reduzirá a taxa de juros até o fim do ano.

Para o gestor Henrique Bredda, da Alaska Asset Management, se não vier nenhum balde de água fria do exterior e o noticiário de Brasília acalmar, o Ibovespa tem chance de retomar sua trajetória de alta em busca dos 100 mil pontos.

Destaques – Banco do Brasil subiu 5,11%, após o banco de controle estatal divulgar balanço trimestral considerado positivo por analistas, que também receberam bem as previsões para 2019. “Podemos alcançar a rentabilidade dos bancos privados ou até superar”, disse a jornalistas Rubem Novaes, que assumiu a presidência-executiva do BB em janeiro.

Bradesco PN avançou 3,81% e Itaú Unibanco PN valorizou-se 2,66%, também embalados pelo noticiário sobre a proposta da reforma da Previdência, após titubearem em parte relevante da sessão. Santander Brasil Unit subiu 2,68%.

Petrobras PN fechou em alta de 3,45%, tendo de pano de fundo a alta dos preços do petróleo no exterior e também contagiada pela melhora da bolsa na parte da tarde.

Vale encerrou com acréscimo de 0,37%, em sessão com alta nos preços do minério de ferro na China, enquanto o papel continua volátil por incertezas sobre os desdobramentos relacionados à tragédia com o rompimento de uma barragem da mineradora em Minas Gerais. O Ministério Público Federal disse que a Vale privilegiou lucro a segurança de trabalhadores em Brumadinho. Já o presidente-executivo da companhia, Fabio Schvartsman, defendeu que ela não seja condenada pelo ocorrido.

Dólar – O dólar encerrou com leve queda nesta quinta-feira, após sessão volátil enquanto o mercado aguardava decisão do presidente Jair Bolsonaro sobre a reforma da Previdência, que acabou sendo divulgada pouco após o fechamento.

O dólar recuou 0,34%, a R$ 3,7401 na venda. Na máxima do pregão, tocou R$ 3,7960 e na mínima, alcançou R$ 3,7348. O dólar futuro acelerou a queda, quase tocando 1%.

O Banco Central vendeu 10,33 mil swaps cambiais tradicionais, equivalente à venda futura de dólares. Assim rolou US$ 5,165 bilhões dos US$ 9,811 bilhões que vencem em março. (Reuters)