São Paulo – O entendimento dos investidores de uma postura mais suave do Federal Reserve (Fed) no ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos impulsionou o Ibovespa a tocar o patamar dos 85 mil pontos perto do fim do pregão de ontem. Mas perdeu a força e acabou fechando em alta de 0,97%, aos 84.976,58 pontos e giro financeiro de R$ 11,1 bilhões. De acordo com analistas, só não subiu mais durante o pregão porque ainda havia um sentimento de cautela com as expectativas em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) no início da noite. Durante o pregão, o Ibovespa atingiu a máxima aos 84.936,32 pontos, assim que o Fed anunciou a alta de 0,25 ponto nos Fed Funds. Mas reduziu o ritmo de ganhos e ficou operando de lado durante o discurso do presidente da autoridade monetária americana, Jerome Powell. “Os sinais são de que a economia americana está saudável e forte e isso é um bom sinal para o mundo. Os Estados Unidos indo bem, o mercado mundial cresce junto”, disse Shin Lai, analista da Upside Investor Research. Na avaliação de Lai, a boa perspectiva para a atividade dos Estados Unidos também contribuiu para a alta dos setores de energia. Os contratos futuros de petróleo subiram em torno de 3% assim como os índices de metais. O minério de ferro já havia fechado com valorização de 0,46% no porto de Qingdao, na China. Por aqui, as ações da Petrobras ON e PN fecharam com ganhos de 3,80% e 4,11%, respectivamente. Vale ON subiu 2,16%. Na leitura de analistas, a indicação de que o ciclo de aperto monetário nos EUA tenha ficado mais longo – ou mais suave – melhorou o cenário de incertezas que vinham desde o mês passado. Ainda assim, ressaltam, há uma divisão igualitária entre os integrantes do Fed. Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, lembra que também pesou negativamente ontem sobre as decisões de negócios o fato de a ministra-chefe do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, ter marcado para hoje o julgamento de mérito do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista tenta evitar a prisão após julgados os recursos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o que acontece na próxima segunda-feira, dia 26. Dólar – O desfecho da reunião de política monetária do Fed reforçou o movimento de desmontagem de posições compradas em dólar e a moeda americana ampliou o ritmo de queda ante o real no período da tarde. A leitura de que o banco central dos Estados Unidos deverá manter o gradualismo em 2018 enfraqueceu a moeda americana, embora tenha deixado espaço para a cautela no que diz respeito a um maior endurecimento da política monetária americana nos anos subsequentes. Ao final dos negócios, o dólar à vista teve queda de 1,28%, cotado a R$ 3,2661. Com isso, devolveu com folga as altas das duas sessões anteriores, geradas pelos temores de um Fed mais hawkish (duro). Os negócios no mercado à vista somaram US$ 1,168 bilhão. No mercado futuro, a divisa para liquidação em abril era cotada a R$ 3,2705 às 17h32, com perda de 1,31%. O dólar já havia iniciado o dia em queda, devolvendo parte dos ganhos da véspera, quando havia atingido o maior valor do ano, acima dos R$ 3,30. A tendência foi mantida em linha com o cenário internacional, mas ganhou fôlego rápido e constantemente após a manifestação do Fed, renovando mínimas até os minutos finais de negociação. O Comitê de Política Monetária (FOMC) elevou os juros dos Fed funds em 0,25 ponto percentual, conforme o esperado. No comunicado pós-reunião e na manifestação do presidente do Fed, Jerome Powell, analistas viram sinalização de que o crescimento econômico ainda é moderado, sem grandes riscos de inflação. Porém, no gráfico de pontos, viram divisão dos dirigentes e possibilidade de um Fed mais duro a partir de 2019. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerrou em 6,455%, de 6,464% no ajuste anterior e a do DI para janeiro de 2020 fechou em 7,39%, de 7,41% no ajuste de terça. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 8,30% para 8,25% e a do DI para janeiro de 2023 de 9,16% para 9,09%.

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