Crédito: Adriano Machado/Reuters

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta-feira que o Brasil precisa cada vez mais da mídia para que a “chama da democracia não se apague”, dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter ordenado que uma revista retirasse do ar uma reportagem no âmbito de inquérito para apurar notícias falsas e crimes contra a honra de ministros da corte.

Sem fazer referência ao caso que envolve o STF, Bolsonaro disse que, apesar de “alguns percalços” que teve com a mídia, “nós precisamos de vocês para que a chama da democracia não se apague, precisamos de vocês cada vez mais”.

“Palavras, letras e imagens que estejam perfeitamente emanadas com a verdade. Nós, juntos, trabalhando com esse objetivo, faremos um Brasil maior, grande e reconhecido em todo cenário mundial”, acrescentou.

O presidente fez a declaração durante discurso por ocasião de comemoração do Dia do Exército, em São Paulo. Na terça-feira (16), Bolsonaro já havia feito uma defesa da liberdade de expressão, classificando-a como “direito legítimo e inviolável”, em uma publicação no Twitter.

Na semana anterior, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a revista Crusoé retirasse do ar uma reportagem que aponta suposta ligação do presidente do STF, Dias Toffoli, com a Odebrecht, sem indicar qualquer suposto crime que Toffoli teria cometido.

A decisão foi tomada no âmbito de um inquérito sigiloso, aberto por portaria do presidente do Supremo, que tem por objetivo apurar a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de crimes de honra, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo, membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão, segundo documento do tribunal.

A abertura do inquérito e a decisão de determinar que a reportagem fosse retirada do ar foram alvo de críticas de parlamentares e de entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O inquérito sigiloso também gerou embates entre a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que chegou a anunciar o arquivamento da investigação, e Moraes, que rejeitou a medida e manteve o inquérito, agora prorrogado por Toffoli por 90 dias.

Cerimônia – Ao participar de solenidade em comemoração aos 371 anos do Exército brasileiro, na quinta-feira, no Quartel-General do Ibirapuera, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Exército “sempre esteve ao lado da vontade nacional” nos momentos difíceis que a nação passou. A instituição completa 371 anos na sexta-feira (19).

Bolsonaro destacou a necessidade de união para o desenvolvimento do País. “Tenho certeza que, sozinho, não chegarei a lugar algum. Precisamos de todos vocês, civis e militares, ao lado do Brasil, para colocá-lo realmente no lugar que ele merece”.

O presidente elogiou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, presente na cerimônia, pela “construção do maior colégio militar do Brasil, no Campo de Marte”.

“Nós faremos todo o possível para que, em cada capital de estado, onde, porventura, não exista colégio militar, nós construiremos lá também”, acrescentou.

Bolsonaro também elogiou “as escolas militarizadas no estado do Amazonas e Goiás que estão dando um exemplo enorme de como se faz educação de verdade sem desmerecer as demais boas escolas particulares e públicas que temos no Brasil”.

O Dia do Exército é celebrado em 19 de abril em alusão à Batalha dos Guararapes, quando brancos, negros e índios defenderam a pátria contra invasores holandeses em Pernambuco, no ano de 1648. (ABr/Reuters)