Bebianno coordenou a campanha do presidente da República, Jair Bolsonaro, no ano passado - Foto: REUTERS/Sergio Moraes

Brasília – O governo do presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite de ontem a demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, em um movimento para aplacar a maior crise desde o início da gestão e na semana em que o Executivo vai encaminhar ao Congresso duas das suas mais importantes propostas, o pacote anticrime e a reforma da Previdência.

A saída de Bebianno foi divulgada oficialmente pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, que justificou a saída dele por razões de “foro íntimo”. No lugar dele, vai entrar em caráter definitivo e sem mudanças na estrutura o general Floriano Peixoto, o atual secretário-executivo da pasta.

A demissão de Bebianno – que foi o presidente do PSL na campanha vitoriosa de Bolsonaro ao Palácio do Planalto e está no foco da primeira grande crise do governo envolvendo um suposto financiamento irregular de candidaturas na eleição passada – é a primeira baixa no primeiro escalão do governo.

A decisão de Bolsonaro de retirar Bebianno tenta melhorar o ambiente político para o Planalto na semana em que vai apresentar ao Congresso as duas principais propostas de início de gestão – o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, nesta terça-feira e a reforma da Previdência amanhã.

Em um vídeo veiculado nas redes sociais, o presidente elogiou o trabalho de Bebianno tanto à frente da campanha como também no comando do ministério. Sem dar detalhes, Bolsonaro deu a sua explicação sobre o episódio que levou à demissão do ministro.

“Comunico que desde a semana passada diferentes pontos de vista sobre questões relevantes trouxeram a necessidade de uma reavaliação. Avalio que pode ter havido incompreensões e questões mal entendidas de parte a parte, não sendo adequado prejulgamentos de qualquer natureza”, disse.

No início do briefing à imprensa, o porta-voz leu uma nota curta do presidente sobre a saída de Bebianno. “O Senhor presidente da República agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada”, disse Rêgo Barros, que informou que o documento oficializando a saída será assinado nesta segunda.

Desentendimento – Bebianno é o principal personagem de uma crise que se arrasta por uma semana, após ter sido chamado de mentiroso pelo filho do presidente, o vereador fluminense Carlos Bolsonaro (PSC), no Twitter quando disse que havia conversado com o presidente.

Carlos expôs um áudio de Bolsonaro em que o presidente negava ter falado com o ministro. O próprio Bolsonaro endossou a publicação do filho na rede social e posteriormente em uma entrevista de televisão.

No foco, estão denúncias de que, sob a presidência nacional do PSL de Bebianno, candidaturas em Estados teriam cometido irregularidades.

Questionado, Bebianno negou participação nas irregularidades. “Reitero meu incondicional compromisso com meu País, com a ética, com o combate à corrupção e com a verdade acima de tudo”, disse o ministro, em nota divulgada na semana passada.

Parlamentares, ministros e até militares atuaram numa operação para apagar o incêndio e tentar mantê-lo no cargo, mas o acerto desandou após uma conversa entre Bebianno e Bolsonaro. (ABr/Reuters)