Após polêmicas como a volta da CPMF, Paulo Guedes cancelou três aparições públicas - REUTERS/Sergio Moraes

São Paulo – O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse na sexta-feira (21) que seu coordenador econômico, Paulo Guedes, segue firme no cargo, após uma polêmica sobre propostas tributárias que o economista teria apresentado a investidores. Bolsonaro afirmou que a unificação de alíquotas de Imposto de Renda (IR), que teria sido defendida por Guedes, é uma “boa ideia”.

Na última quarta-feira, a Folha de S.Paulo publicou que Guedes disse, em encontro com investidores, que criaria um novo imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), e que unificaria em 20% todas as alíquotas do Imposto de Renda. A proposta foi duramente criticada por rivais de Bolsonaro na corrida presidencial, que afirmaram que as medidas penalizariam os mais pobres.

“O Paulo segue firme”, disse Bolsonaro, segundo a Folha, de seu leito no hospital Albert Einstein, onde se recupera de duas cirurgias a que foi submetido depois de ser alvo de uma facada no início do mês.

Guedes cancelou três aparições públicas que faria entre quinta-feira e sexta-feira após a polêmica sobre a proposta tributária atribuída a ele. “Olha, ele (Guedes) não tem experiência política. O cara dá uma palestra de uma hora, fala uma coisa por segundos e a imprensa cai de porrada nele”, disse o presidenciável, de acordo com jornal, que afirmou ter conversado por telefone por cerca de quatro minutos com Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República.

“Se ele usa a palavra IVA (Imposto de Valor Agregado) e não CPMF, não tem confusão nenhuma. Parece uma boa ideia. A alíquota única do IR é uma boa ideia”, acrescentou.

A proposta foi alvo de duras críticas de adversários de Bolsonaro na corrida presidencial e o próprio candidato do PSL, que está hospitalizado se recuperando de duas cirurgias de urgência a que se submeteu por causa da facada que sofreu no início do mês, foi mais de uma vez às redes sociais negar a recriação da CPMF e rejeitar aumentar impostos caso eleito.

Guedes, que deve assumir o Ministério da Fazenda em caso de vitória de Bolsonaro na eleição de outubro, participaria de um encontro organizado pelo Credit Suisse na quinta e, na manhã de sexta-feira, iria a uma reunião da Câmara Americana de Comércio (Amcham) e pela tarde de um evento da XP Investimentos. Ambos os eventos de sexta-feira foram cancelados.

Bolsonaro também disse à Folha que não participará de eventos de campanha nem de debates até o primeiro turno, marcado para 7 de outubro. “Eu cumpro rigorosamente as ordens médicas. É impossível eu ir para a rua ou participar de debates antes do primeiro turno. Vou fazer participações pela internet”, afirmou.

Em vídeo publicado em sua conta no Twitter mais cedo, Bolsonaro afirmou que espera receber alta até o fiml deste mês, informação que reiterou ao jornal.

Na manhã de sexta-feira, pela terceira vez nesta semana, Bolsonaro foi ao Twitter para rebater a informação de que pretende recriar a CPMF e elevar impostos. “Votei pela revogação da CPMF na Câmara dos Deputados e nunca cogitei sua volta. Nossa equipe econômica sempre descartou qualquer aumento de impostos. Quem espalha isso é mentiroso e irresponsável. Livre mercado e menos impostos é o meu lema na economia!”, escreveu o presidenciável, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro.

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“Posto Ipiranga” – Bolsonaro já admitiu publicamente que não entende de economia e, quando questionado sobre o tema, muitas vezes se refere a Guedes, a quem chama de seu «Posto Ipiranga» para assuntos econômicos. O programa de governo do candidato do PSL prevê a criação de um «superministério” para cuidar da economia.

A proposta de um novo imposto nos moldes da CPMF e de unificação das alíquotas do Imposto de Renda foi alvo de críticas, por exemplo, do candidato do PDT, Ciro Gomes, que a classificou de “fascista”, e do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, que afirmou que as ideias tributárias atribuídas a Guedes são um “tiro” de Bolsonaro no contribuinte. O tucano também usou seu programa na TV para afirmar que o rival do PSL cobrará mais impostos dos mais pobres.

Na quarta-feira, uma fonte com trâmite na campanha de Bolsonaro disse à Reuters que um imposto nos moldes da CPMF, com incidência sobre movimentações financeiras, viria no lugar da adoção de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em simplificação tributária promovida em eventual governo do candidato do PSL.

Também na quarta-feira, o coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, deputado federal Major Olimpio, disse à Reuters que o candidato do PSL telefonou de seu leito hospitalar para Guedes no mesmo dia que a proposta atribuída a ele pela Folha, para pedir explicações sobre a proposta. (Reuters)