Davos – O presidente Jair Bolsonaro disse em Davos, na Suíça, que pretende mostrar no Fórum Econômico Mundial que o Brasil mudou, que é um país seguro para investimentos e está tomando medidas para reconquistar a confiança.

Em entrevista a jornalistas na cidade suíça, Bolsonaro também disse que não apresentará planos específicos para privatizações durante o encontro e afirmou que quer ampliar o comércio do país, especialmente na área do agronegócio.

“Nós queremos mostrar, via os nossos ministros em especial, que o Brasil está tomando medidas para que o mundo restabeleça a confiança em nós, que os negócios voltem a florescer entre o Brasil e o mundo sem o viés ideológico, que nós podemos ser um país seguro para os investimentos e em especial a questão do agronegócio, que é muito importante para nós, é a nossa commodity mais clara. Queremos ampliar este tipo de comércio”, afirmou.

“Estamos aqui para mostrar para eles que o Brasil mudou”, acrescentou o presidente ao chegar ao hotel em que ficará hospedado durante o Fórum Econômico Mundial.

Bolsonaro também sinalizou como será o discurso que fará hoje durante o evento, sua primeira viagem internacional desde a posse em 1º de janeiro.
“É um discurso muito curto, objetivo, claro, tocando nesses pontos que eu falei para vocês aqui. Foi feito e corrigido, vamos dizer assim, por vários ministros para que nós déssemos o recado mais amplo possível do novo Brasil que se apresenta com a nossa chegada ao poder”, disse.

Em Davos, Bolsonaro participará de encontros sobre o futuro do Brasil, de jantar com lideranças latino-americanas e de um evento para discutir a situação da Venezuela. “A Venezuela está com problemas não é de hoje, esperamos que rapidamente mude o governo da Venezuela”, disse o presidente brasileiro.

O Brasil e demais países da América Latina, assim como boa parte da comunidade internacional, não reconhecem o governo de Nicolás Maduro, que assumiu um segundo mandato de seis anos em 10 de janeiro, considerando que sua reeleição em maio do ano passado não forneceu garantias para a participação da oposição.

Maduro afirma que seus adversários, apoiados pelos Estados Unidos, tentam derrubá-lo para tirar proveito das riquezas do petróleo venezuelano.

Bolsonaro retorna da Suíça para o Brasil na próxima quinta-feira, de acordo com programação divulgada pela Presidência da República.

Corrupção – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, vai afirmar, em discurso que fará no Fórum Mundial Econômico de Davos, na Suíça, que a corrupção prejudica não apenas a confiança nos governos, mas também de todo mercado, disse ontem uma fonte à Reuters.

Moro defenderá o Estado de Direito e que o ambiente de negócios limpos são bons para os lucros, informou a fonte. Segundo o ministro, a corrupção prejudica a globalização, tornando-a injusta.

O ministro da Justiça – que ficou mundialmente conhecido por ser o principal juiz da Operação Lava Jato até abdicar da carreira de magistrado para fazer parte do governo Jair Bolsonaro – é um dos mais aguardados integrantes da delegação brasileira no fórum econômico.

Hoje, Moro é um dos participantes do painel interativo “Restaurando a Confiança e a Integridade”. No dia seguinte, ele participa de almoço sobre “O futuro do Brasil” e, em seguida, das discussões sobre combate à corrupção no “Paci – Vanguard Meeting” e, na quinta-feira, integrará o painel com o tema “Crime Globalizado”.

Moro concentrará seu discurso em ações que pretende tomar à frente do ministério e só deve se manifestar sobre a operação Lava Jato caso seja questionado, disse a fonte. (Reuters)