Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que a “previsão mínima” de economia com a reforma da Previdência é de R$ 800 bilhões em dez anos, mas repassou para o Congresso a responsabilidade sobre o impacto de eventuais alterações na proposta.

Questionado por repórteres, ao sair do almoço no restaurante do Palácio do Planalto, sobre declaração que havia dado mais cedo num café com um grupo de jornalistas sobre um piso de R$ 800 bilhões para a economia com a reforma, Bolsonaro respondeu: “Previsão mínima da reforma da Previdência.”

Na sequência, ao ser perguntado se era possível mexer na proposta até R$ 800 bilhões, o presidente disse que a decisão é do Congresso. “Não, não sei, não sei, quem vai decidir é o Parlamento.”

No café com jornalistas, Bolsonaro disse que esse piso havia sido estipulado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ontem pela manhã, o Ministério da Economia informou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência prevê uma economia total de R$ 1,237 trilhão em dez anos ante o valor de R$ 1,072 trilhão que foi anunciado na apresentação da proposta, em fevereiro.

Guedes tem repetido que se a economia não for de pelo menos R$ 1 trilhão, ela não será robusta o suficiente para o lançamento de um sistema de capitalização.

Embora o montante citado por Bolsonaro esteja abaixo do que o ministro da Economia vem defendendo publicamente, uma fonte parlamentar que participa ativamente das negociações argumentou que “se for R$ 800 bilhões já é mais do que a gente estava discutindo no melhor momento da reforma do ex-presidente Michel Temer”.

No café com jornalistas de vários veículos , Bolsonaro comentou que se a economia com a reforma ficar abaixo de R$ 800 bilhões “a situação vai explodir em 2022”.

O presidente chegou a dizer que a situação ficaria parecida com a Argentina. Para ele, uma reforma que economize menos não representa um “ponto de inflexão” para o País.

Bolsonaro rebateu, no encontro da manhã, a alegação de que o governo tenha cedido nas quatro alterações ao texto da reforma já feitas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para o presidente, não se está cedendo, mas a reforma está no Congresso. (Reuters)