Crédito: Marcos Corrêa - PR

Dallas – O presidente Jair Bolsonaro indicou ontem que as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que envolvem um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), são uma tentativa de atingi-lo, e colocou seu sigilo fiscal à disposição.

“Querem me atingir? Venham para cima de mim! Podem vir para cima de mim. Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem que ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar”, disse Bolsonaro em Dallas, nos Estados Unidos, ao ser questionado por repórteres sobre as investigações do MPRJ que envolvem Flávio.

O presidente, que viajou aos EUA para receber uma premiação da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, disse que “grandes setores da mídia” estão insatisfeitos com o governo porque é “um governo de austeridade, é um governo de responsabilidade com o dinheiro público, é um governo que não vai mentir e não vai aceitar negociações, não vai aceitar conchavos para atender interesse de quem quer que seja. E ponto final”.

Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pelo Ministério Público após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações atípicas de seu ex-assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Fabrício Queiroz. Também foram identificados depósitos suspeitos na conta do próprio senador.

Reportagem publicada no site da revista Veja na quarta-feira (15) afirmou que o MP apontou indícios de que Flávio tenha utilizado negociações de imóveis para lavar dinheiro entre 2010 e 2017. A suspeita foi apontada pelo MPRJ ao solicitar a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador, que foi concedida pela Justiça Rio de Janeiro.

Segundo os promotores, o então deputado estadual teria lucrado R$ 3 milhões em transações imobiliárias de R$ 9 milhões envolvendo 19 imóveis em que há “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”, disse a Veja.

Em nota publicada no Twitter, o senador afirmou que “não são verdadeiras as informações vazadas na revista Veja acerca de meu patrimônio”.

“Continuo sendo vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações contidas em processo que está em segredo de justiça. Os valores informados são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais. Sempre declarei todo meu patrimônio à Receita Federal e tudo é compatível com a minha renda”, acrescentou.

O senador lamentou que “algumas autoridades do Rio de Janeiro continuem a vazar ilegalmente à imprensa informações sigilosas, querendo conduzir o tema publicamente pelos meios de comunicação e não dentro dos autos”, e disse que ficará provado dentro do processo legal que jamais cometeu qualquer irregularidade.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo de ontem afirma que a quebra do sigilo de Flávio atinge também ao menos cinco ex-assessores do presidente Jair Bolsonaro que trabalharam tanto no gabinete do pai quando era deputado federal como no de Flávio na Alerj.

Relações exteriores – Bolsonaro disse ser homenageado em Dallas, nos Estados Unidos, que o “Brasil de hoje” quer o povo e os empresários norte-americanos por perto e se disse convicto que a relação do Brasil com os EUA resultará em comércio e em novos acordos entre os dois países.

“O Brasil de hoje é amigo dos Estados Unidos, o Brasil de hoje respeita os Estados Unidos e o Brasil de hoje quer o povo americano e os empresários americanos ao nosso lado”, disse o presidente ao receber o prêmio.

Em seu discurso, Bolsonaro também criticou a imprensa e fez referência às manifestações que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas de cidades de todo o país na quarta-feira contra o bloqueio de verbas do Ministério da Educação.

“Ontem vimos em algumas capitais de Estados marchas pela educação, como se a educação até o final do ano passado fosse uma maravilha no Brasil. Temos um potencial humano fantástico, mas a esquerda brasileira entrou, infiltrou e tomou não só a imprensa brasileira, mas também em grande parte as universidades e as escolas”, acusou.

Bolsonaro mencionou a situação vivida na Venezuela, mas preferiu dar mais destaque à Argentina, que terá eleições presidenciais em outubro, afirmando que o país vizinho está “indo para um caminho bastante complicado”, numa referência à possibilidade de a ex-presidente argentina Cristina Kirchner vencer a eleição no país.

O presidente afirmou que viajará em breve à Argentina e disse que buscará “colaborar com o país”, assegurando no entanto que não irá se intrometer em assuntos locais. (Reuters)