Foto: Marcello Casal Jr/Abr

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro fará sua estreia internacional, em Davos, Suíça, onde participará do Fórum Econômico Mundial, com prestígio, afirmou o ministro da Secretaria de Governo (Segov), general Alberto dos Santos Cruz. Segundo ele, o presidente vai destacar sua determinação para a abertura econômica, o respeito à democracia e da legislação. Bolsonaro viaja para a Suíça neste domingo (dia 20).

“Posso te dizer que 45 minutos na abertura de Davos para o presidente do Brasil mostra o prestígio do Brasil e prestígio da escolha que fez o povo brasileiro”, disse o general em entrevista exclusiva à Agência Brasil e à Rádio Nacional. “(O presidente) vai falar da abertura econômica do Brasil, da expressão do Brasil no mundo, do respeito do Brasil a todos os critérios internacionais de qualidade de vida, de respeito à democracia.”

No momento em que o presidente, o chanceler Ernesto Araújo e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, recebem opositores do líder venezuelano, Nicolás Maduro, Santos Cruz disse que há um “esforço internacional” para restabelecer a democracia no país vizinho. Ele também descartou a possibilidade de mudanças na política de fronteiras.

“Política de fronteira é fronteira aberta, e venezuelano que vier tem que apoiar. Você não pode deixar uma pessoa sofrendo, não interessa a nacionalidade dela. É uma obrigação humanitária, de Estado”, disse o general, lembrando que cerca de 3 mil venezuelanos deixaram suas cidades. “Gente de boa qualidade se afastando do país porque não tem condições de viver dentro do seu próprio país, então você tem um governo inconsequente tentando implantar uma ditadura ideológica.

P – Em pouco mais de duas semanas de governo, é possível definir um modo próprio para a gestão Bolsonaro no País?

R – Eu acho que o governo está sendo coerente com aquilo que ele falou durante a campanha. Um governo de caráter bastante técnico, sem uma prática ruim de escolha de pessoas. Todos foram escolhidos de maneira bastante independente. O respeito aos poderes Legislativo, Judiciário e ao Ministério Público, às instituições. A Câmara e o Senado estão com seus trabalhos de definição de liderança sem nenhuma tentativa de influência, quer dizer, um respeito absoluto. Transparência, acesso da imprensa aqui em nível de Presidência é total. A quantidade de entrevistas que temos, de jornalistas nos procurando. A nossa esperança de que se tenha uma transparência nesse relacionamento, que seja recíproca. Que todos os dados de governo sejam divulgados para a população. Temos alguns projetos para aumentar mais essa transparência. Acho que o governo está perfeitamente coerente com o que ele divulgou.

P – Quais são essas ações para aumentar a transparência?

R – Primeiro, é o relacionamento com a imprensa porque transparência tem que ser feita por meio de publicidade, isso é fundamental. E a outra coisa é o acesso a todos os dados de governo. Todas as finanças, projetos, cronogramas de trabalho. A sociedade tem que saber.

P- O senhor já tem um plano para fazer com que as parcerias público-privadas (PPPs) decolem? Como vai funcionar? Quais as áreas prioritárias?

R – Esse programa já vem funcionando bem. Esse é um mérito da equipe técnica da administração anterior. É um programa que já foi passado pra gente com credibilidade. [O programa] já tem um calendário até março e vai continuar. Não há necessidade de muita aceleração nesse processo porque o ritmo dele já vem sendo bastante bom.

P – A primeira concessão do novo governo foi assinada em 11 de janeiro, no Rio Grande do Sul. Já existe previsão do próximo contrato a ser assinado?

R – Esse contrato foi assinado, mas o leilão foi feito lá atrás (em 2018). E já tem um calendário de vários leilões de aeroportos. Será a fase de colocar à disposição da iniciativa privada para ver quem é que vai dar a melhor oferta. A Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) está participando de todo o planejamento, de todos os projetos.

P – Muda o formato da Infraero a partir destes leilões?

R – Eu não acho que a Infraero está contando com perda de terreno. Ela está contando com o bem para o Brasil. Não é problema ela perder, (e sim) o Brasil ganhar. Ela se fortalece como empresa na medida em que negócios melhores são feitos para o País. O objetivo de uma empresa pública não é vantagem para ela, é vantagem para o país. Ela continua com os outros itens de administração. Não significa que todo o sistema será privatizado. Você tem várias etapas na parte de logística de aeroportos, de administração.

P – Durante a greve dos caminhoneiros do ano passado, falou-se sobre a necessidade de incrementar a malha ferroviária do País. Quais são os planos do governo nessa área?

R – A malha ferroviária já tem planejamento de expansão. Já tem PPI (Programa de Parcerias de Investimentos do governo federal), inclusive, algumas obras ferroviárias. Só que é completamente diferente da parte de estrada. A implantação de ferrovia é muito mais custosa do que rodovia, inicialmente. O custo inicial de ferrovia é muito diferente de rodovia. É um outro processo. Um projeto de expansão de ferrovia é estratégico e de longo prazo. A rodovia é mais imediata a construção. A técnica, o traçado, as exigências técnicas de declividade, de curvatura, tudo isso é diferente. Então você tem um modelo e nós temos atenção para isso. Mas é completamente diferente o ritmo de uma coisa e de outra.

P – O chanceler Ernesto Araújo e o presidente Bolsonaro se reuniram com opositores do regime de Maduro na Venezuela. Como o governo pretende colaborar para resolver a crise no país vizinho?

R – Isso é um assunto que o Ministério das Relações Exteriores e o presidente da República estão tratando. É bastante sério porque o povo venezuelano está sofrendo muito em consequência da ditadura que está tentando se implantar na Venezuela, que já acarretou 3 mil venezuelanos, gente de boa qualidade se afastando do país porque não tem condições de viver dentro do seu próprio país. Então você tem um governo inconsequente, tentando implantar uma ditadura ideológica no país vizinho, um país que já foi muito rico. Tem riqueza que não está chegando ao povo. O país está submetendo seu povo a um sacrifício inadmissível e as medidas estão sendo tomadas para participar de um esforço internacional para melhorar as condições de vida do povo venezuelano.

P – O presidente lidera esse esforço internacional?

R – O esforço internacional não está tendo liderança específica. Tem um grupo de países que já estão engajados.

P – Como será a política de fronteira em Roraima? Vai haver alguma mudança?

R – Não. Política de fronteira é fronteira aberta, e venezuelano que vier temos que apoiar. Você não pode deixar a pessoa sofrendo, não interessa a nacionalidade dela, você deixar a pessoa sofrendo. Você tem que apoiar. É uma obrigação humanitária, uma obrigação de Estado.

P – Qual é a principal mensagem que o presidente Jair Bolsonaro levará para Davos na Suíça?

R – Não vi o discurso do presidente ainda. Mas pode ter certeza: eu fui palestrante em Davos em 2016 e posso te dizer que 45 minutos na abertura de Davos para o presidente do Brasil mostra o prestígio do Brasil e da escolha que fez o povo brasileiro com Bolsonaro.

P – Que tipo de mensagem ele vai passar?

R – Sem dúvida nenhuma vai falar da abertura econômica do Brasil, da expressão do Brasil no mundo, do respeito do Brasil a todos os critérios internacionais de qualidade de vida, de respeito à legislação e respeito à democracia.

P – O presidente citará o empenho nas reformas?

R – Tem que tomar muito cuidado porque ele não está falando para o Brasil, ele está falando para o mundo. Então vai falar só no alto nível, nas grandes linhas do governo brasileiro. (ABr)