A sexta edição do Festival Botecar não está mexendo apenas com o paladar de quem aprecia o sabor e a tradição da gastronomia mineira. Desde que o evento começou, no dia 10 de abril, o número de clientes nos 35 bares participantes cresceu de forma significativa.

O resultado já pode ser traduzido em números. Nos primeiros 10 dias do evento, alguns estabelecimentos chegaram a registrar um aumento de até 50% no faturamento, em relação ao mesmo período, mas com movimento normal.

É o caso do Bar do Kxote, que está estreando no Botecar. O estabelecimento fica no Barreiro e está concorrendo ao título de campeão do festival com o prato Frevo Mineiro.

De acordo com a chef do Kxote, Marinete Eunice Silva Ferreira, o número de clientes cresceu 70% somente nos 10 primeiros dias do evento. Com as mesas cheias, o faturamento do bar aumentou 50% em comparação com a receita obtida em 10 dias comuns.

O resultado é reflexo do giro de pessoas durante o festival. “Hoje, apenas 15% do nosso público mora na região. Muitos clientes vêm de outros bairros de Belo Horizonte e até de outros municípios só para degustar o prato”, diz.

Fenômeno semelhante acontece no Armazém Medeiros, localizado no bairro Lourdes. O estabelecimento é veterano no festival e autor do prato Cortejo dos Sabores. Segundo o proprietário da casa, Marcílio Diniz, desde que a sexta edição do Botecar começou, o bar tem recebido caravanas com pessoas vindas do interior de Minas e de outros estados, como São Paulo.

Com o aumento da clientela, a expectativa do empresário é de que, durante a realização do evento, a receita seja, no mínimo, 20% superior à obtida na mesma quantidade de dias normais.

Reação em cadeia – Os impactos econômicos do Botecar não se limitam aos bares participantes. De acordo com o idealizador do festival, Antônio Lúcio Martins, os fornecedores de produtos e serviços desses estabelecimentos também têm sido beneficiados.

“Alguns proprietários de açougues, distribuidores de bebidas e donos de sacolões nos disseram que suas vendas aumentaram muito com o evento. Geralmente, essas empresas ficam próximas aos bares. Isso significa que toda a economia do entorno é favorecida”, ressalta Martins.

Geração de empregos – Para atender o aumento da demanda durante o Botecar, muitos bares e fornecedores contrataram funcionários temporários. A expectativa dos organizadores do evento é que boa parte dessa mão de obra seja efetivada após o fim do festival.

No Bar do Helmio II, um garçom e um ajudante de cozinha reforçaram o quadro de funcionários. É a primeira vez que o estabelecimento participa do evento. O prato da casa é o Caxambu Suíno.

Segundo Thiago Rodrigues, administrador do bar, com a visibilidade proporcionada pelo festival, o objetivo é absorver parte da nova clientela

“Se isso acontecer, certamente precisaremos contratar mais funcionários”, frisa Rodrigues.

O tema do Botecar deste ano é o Congado, festa que recria a coroação do Rei do Congo e é realizada no Brasil desde o século XII, unindo a religiosidade às raízes da cultura afro-brasileira.

Quem mora em Minas Gerais, principalmente no interior do Estado, certamente já teve a oportunidade de ver de perto uma festa de Congado.

Na ocasião, os participantes, mais conhecidos como congadeiros, entoam cantos dramáticos ao som de instrumentos de percussão, como tambores, cuícas e pandeiros.

O Congado é culturalmente ligado à gastronomia mineira. De acordo com a tradição secular, ao longo do trajeto, os moradores oferecem comidas típicas e quitutes aos participantes.