Nova York – Os bancos internacionais estão se posicionando para emissores brasileiros no início de 2019, após a eleição do País em outubro criar condições de financiamento mais favoráveis, enquanto a volatilidade global continua limitando a emissão de títulos.

Os credores também estão dispostos a alocar mais fundos para empresas brasileiras do que mexicanas, enquanto avaliam a política econômica do recém-nomeado governo de esquerda liderado por Andrés Manuel López Obrador, que criticou o setor privado e recentemente cancelou um projeto gigante de infraestrutura.

A eleição de Jair Bolsonaro, em outubro, foi bem recebida por credores e investidores, e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, deve defender políticas favoráveis ao mercado, como reforma da Previdência e privatização de ativos.

“O problema do México é vantagem para o Brasil”, disse um executivo de empréstimos sindicalizados em Nova York. “Há muita liquidez para colocar em ação e isso irá em peso para o Brasil”.

A Klabin, produtora de celulose e papel, abriu o mercado de empréstimos corporativos na América Latina após uma semana de reunião com bancos para um empréstimo de US$ 1,1 bilhão e linha de crédito rotativo, disseram três fontes.

A empresa concluiu as reuniões, mas não emitiu o título, uma vez que a volatilidade do mercado acionário global ampliou os spreads de crédito nos mercados emergentes.

O maior foco dos bancos no Brasil também deve manter os preços de novos empréstimos competitivos como em 2018, já que existem poucos mandatos na região por enquanto.

Emissores frequentes como a Petrobras pagaram 170 pontos acima da Libor em março passado por um crédito rotativo de US$ 4,35 bilhões e esse preço pode cair se as classificações de crédito da companhia melhorarem.
A Suzano, outra de papel e celulose, pagou 133 pontos em março por um empréstimo de três anos e cerca de 170 pontos por uma emissão de seis anos, para financiar a compra da Fibria.

Os preços apertados estão ligados a prazos menores, disseram fontes, acrescentando que os credores estão dispostos a oferecer flexibilidade para conceder empréstimos e menos exigências para créditos brasileiros.
Um empréstimo de US$ 775 milhões para a empresa de tecnologia Ascenty em outubro teve poucas condições, chamadas de covenants.

“Os bancos são mais flexíveis”, disse uma segunda fonte. “É um mercado de tomadores e os bancos acompanham.”

Como a volatilidade do mercado acionário global continua a tornar os títulos caros para emissores da América Latina, os bancos esperam que haja mais fluxo de negócios no mercado de empréstimos, e os credores estão se alinhando para financiar tomadores regionais com fortes perfis de mercado de dívida.

“As pessoas ainda estão um pouco nervosas, então o volume será principalmente de nomes bem classificados ou bem conhecidos”, disse um terceiro banqueiro. (Reuters)