Desvalorização do real frente ao dólar e o fim da crise no setor imobiliário nacional previsto para os próximos meses fazem desse momento o ideal para investir em imóveis - Divulgação

Muitas cidades brasileiras, a exemplo de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, cresceram no último terço do século passado impulsionadas pelo dinheiro enviado por brasileiros que moravam nos Estados Unidos para a compra da casa própria na cidade.

Hoje, brasileiros espalhados por todo o mundo têm na compra de imóveis no Brasil uma possibilidade de ganho real. De acordo com o diretor executivo de Marketing da Netimóveis e vice-presidente das corretoras de imóveis da CMI-Secovi/MG, Leirson Cunha, a desvalorização do real frente ao dólar e o fim da crise no setor imobiliário nacional previsto para os próximos meses fazem desse momento o ideal para esse tipo de investimento.

“A crise afetou fortemente o mercado imobiliário e fez com que os preços recuassem nos últimos anos. Agora, com a retomada da economia, o mercado deve se aquecer. A volta da demanda provavelmente elevará os preços. Então, a hora de comprar é agora. Esse é um investimento que dará retorno em muito pouco tempo. Além disso, temos a moeda americana cara no Brasil. Quem tem dólares pode fazer boas compras em reais”, explica Cunha.

Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), publicados em novembro do ano passado, mostram que o preço nominal médio dos imóveis residenciais em 10 capitais brasileiras subiu 0,64% em 2018. Com isso, os preços no mercado imobiliário voltaram para o campo positivo após fecharem em queda por três anos consecutivos: 2017 (-0,60%), 2016 (-2,26%) e 2015 (-0,20%). A pesquisa mostrou, ainda, que, em 2018, oito das 10 capitais pesquisadas tiveram alta nos preços: Belo Horizonte (0,27%), Brasília (0,29%), Porto Alegre (0,40%), Goiânia (1,14%), Curitiba (1,17%), São Paulo (1,31%), Fortaleza (1,31%) e Salvador (1,33%). Na contramão, houve queda dos preços no Rio de Janeiro (-1,49%) e em Recife (-0,22%).

Além da compra direta, os brasileiros têm à disposição outros modelos de investimento em imóveis como o crowdfunding, BTS / Fundo de Investimento, Sale-Leaseback (quando um vende um ativo e o aluga de volta para o longo prazo; portanto, continua a ser possível usar o ativo, mas não é mais o proprietário), IVRL (Investimento com Valorização / Retorno de Locação).

“É importante saber onde e como investir. Ainda existe uma carência de informações nos Estados Unidos sobre o mercado brasileiro. Checar toda a questão documental, desconfiar de ofertas boas demais e procurar empresas e profissionais idôneos são cuidados óbvios. É interessante também que o comprador tenha alguém de confiança no Brasil, que possa fazer algumas verificações pessoalmente. Consultar o Creci Minas Gerais (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) é também uma boa ferramenta” pontua o vice-presidente das corretoras de imóveis da CMI-Secovi/MG.

Não são só os brasileiros que moram fora que estão acordando para o potencial do mercado imobiliário brasileiro. Estrangeiros também têm procurado uma segunda residência no Brasil. Esse fato tem impulsionado a especialização de corretores.

“Antes recebíamos poucas consultas, mas elas têm crescido organicamente. Ano passado formamos a primeira turma de corretores internacionais em Belo Horizonte e teremos mais uma edição do curso em 2019. Temos percebido a procura especialmente por parte de portugueses e chineses em busca de investimento em imóveis no Brasil”, destaca o empresário.