O governo de Minas comunicou que iniciou um levantamento sobre o número de produtores rurais prejudicados pelo rompimento - REUTERS/Adriano Machado

Além da imensurável perda humana, a tragédia com a barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que rompeu na sexta-feira (25), terá um impacto enorme na economia do município e também na do Estado, além das finanças da própria mineradora. Somente com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), os cofres de Brumadinho deixarão de recolher em torno de 60% de toda a arrecadação da cidade.

Segundo declarações do prefeito de Brumadinho, Alvimar de Melo, os royalties minerários, no caso do município, respondem por pouco mais de 60% de todo o recolhimento dos cofres da cidade, além de empregos, diretos e indiretos, e de boa parte da movimentação do comércio local.

No ano passado, foram recolhidos R$ 62,4 milhões com a Cfem em Brumadinho, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). Entretanto, devido à divisão da arrecadação, determinada pela Lei nº 13.540/2017 (60% dos recursos são dos municípios produtores, 15% do Estado, 10% para a União e 15% para municípios impactados), em vigor desde janeiro de 2018, o município ficou só com R$ 35,6 milhões.

A paralisação das atividades na Mina do Córrego do Feijão também impactará na redução da produção do complexo de Paraopeba, da Vale, onde está situada a mina. O complexo, que também inclui as minas de Vargem Grande e Itabirito, faz parte do Sistema Sul. O minério de ferro é o produto mais exportado por Minas Gerais. Um corte de produção da ordem 8,5 milhões de toneladas (produção da mina Córrego do Feijão em 2018), também acarretaria na queda com as receitas geradas a partir das remessas do insumo ao exterior para o Estado.

Só na Mina do Córrego de Feijão a produção chegou a 8,5 milhões de toneladas de minério de ferro no ano passado, o que respondeu por 31,1% do volume produzido em todo o Complexo de Paraopeba, que somou 27,3 milhões de toneladas. Segundo a companhia, a lama que vazou da barragem atingiu as instalações da usina, o terminal de carregamento, as oficinas de manutenção e os prédios administrativos, além de bloqueios no acesso rodoviário do local até o vilarejo Córrego do Feijão e o acesso da portaria até o trevo de Alberto Flores.

As demais minas e plantas de processamento do Complexo de Paraopeba não foram atingidas pela onda de rejeitos, conforme afirmou a Vale. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) lavrou, na noite do acidente, o primeiro auto de fiscalização, determinando a suspensão imediata de todas as atividades da mineradora no local, ressalvadas as ações emergenciais.

A Vale confirmou a paralisação das operações na Mina Córrego do Feijão, mas não informou se as atividades nas outras minas do complexo serão ou também estão paralisadas. Apesar de a produção de todo o Complexo de Paraopeba representar cerca de 7% da produção total da Vale do País e a de Córrego do Feijão cerca de 2%, as notícias do desastre e a confirmação da paralisação da operação na mina também provocaram alta nos preços internacionais do minério de ferro.

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Agronegócio – O governo de Minas também comunicou que iniciou um levantamento sobre o número de produtores rurais prejudicados pelo rompimento da barragem da Vale. O trabalho será feito em Brumadinho e nos municípios que ficam no trecho onde os rejeitos da barragem atinjam as águas do rio Paraopeba: Betim, Cachoeira da Prata, Caetanópolis, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Igarapé, Inhaúma, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha.

Técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) irão fazer um cruzamento de dados para identificar a produção agropecuária dos municípios prejudicados. No caso de Brumadinho, dados preliminares indicam que as áreas atingidas pela lama são principalmente de plantio de hortaliças.