Créditos: Epamig/ Divulgação

Atingido por rompimento de barragem de rejeitos da Vale, o município de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), poderá ter um polo de produção de flores e plantas ornamentais.

O projeto do governo de Minas, denominado “Flores para Brumadinho”, foi apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na terça-feira (16), em audiência da Comissão de Agropecuária e Agroindústria.

No mesmo encontro, o presidente da comissão, deputado Coronel Henrique (PSL), apresentou projeto de lei de sua autoria instituindo formalmente o Polo de Incentivo à Cultura de Flores e Plantas Ornamentais, com sede em Brumadinho, mas abrangendo também outros municípios do entorno.

“O Legislativo se antecipa e garante que o Executivo tenha um parceiro”, justificou o parlamentar.

O projeto “Flores para Brumadinho”, proposto pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), leva em conta a possibilidade de utilização de pequenas áreas de agricultura familiar comuns no município e no entorno. Em média, são dez a 15 funcionários por hectare, conforme apresentou Carlos Eduardo Bono, superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seapa.

Na primeira fase, segundo ele, seriam detalhados os estudos de viabilidade técnica e de mercado. Outras etapas incluiriam a seleção das unidades produtivas e ainda atividades coletivas relacionadas, por exemplo, a manejo, cooperativismo e comercialização. A proposta prevê três anos para implantação, com assistência técnica dos órgãos do Estado.

Turismo – O projeto prevê interseção com o turismo, a partir da implementação de trem de passageiros entre Belo Horizonte e Brumadinho/Inhotim. Projeto paisagístico ao longo da linha férrea e um jardim em memória das vítimas também estão planejados.

“Podemos aproveitar um momento de dificuldade para pensar no futuro e em outras oportunidades para Brumadinho”, sintetizou Coronel Henrique. Representantes de outras instituições, como Sebrae e cooperativas do Estado (Ocemg), prometeram suporte ao projeto.

Retomada da agricultura – Produtores rurais apoiaram a iniciativa da cadeia de floricultura, mas reivindicaram o retorno imediato à produção de hortaliças e frutas até que o projeto seja efetivado. O foco seria o arrendamento de uma área pela Vale para acomodar, prioritariamente, 24 produtores de oito propriedades que perderam absolutamente tudo na tragédia.

Uma das produtoras, Adriana Aparecida Leal Nunes, afirmou que, junto com meeiros e arrendatários, despachava dois caminhões diários de verduras de sua propriedade.

“Tudo está debaixo da lama, inclusive nosso sonho. Sobraram dívidas com fornecedores e com financiamentos”, lamentou.

Outros produtores, como Pascoal Moreira Filho, perderam o caminho por onde escoavam a produção. Vários relataram o drama vivido após a tragédia e argumentaram que os R$ 15 mil oferecidos inicialmente pela Vale, além de um salário mensal, não foram suficientes para garantir a condição que eles tinham antes. (Com informações da ALMG).